Há um silêncio no coração da matéria,
um claustro invisível onde o mundo reza.
Ali, o nêutron — peregrino sem nome —
entra sem ferir,
como quem pede licença ao mistério.
Sob a irradiação,
a matéria desperta do seu sono antigo.
Não é violência:
é transfiguração.
Um fogo frio passa
e deixa novos nomes escritos no escuro.
Elementos nascem
onde antes havia apenas espera.
Não gritam.
Brilham em segredo,
como astros enterrados
no ventre da terra.
Os nêutrons lentos conhecem o ritmo do eterno:
sabem que tudo o que é profundo
se move devagar.
Assim Deus cria,
assim o mar corrói a pedra,
assim a luz aprende a ser corpo.
E no laboratório —
templo moderno de mãos humanas —
o homem inclina a cabeça
diante do invisível,
sabendo que tocar o núcleo das coisas
é sempre tocar o sagrado.
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