O Homem Negro: Herói Eterno
dedicado ao grande aimé césaire
Chamaram-te meio homem, meio besta,
com olhos de medo e mãos de ferro cru,
mas teu corpo guardava a antiga festa
do tambor primeiro que o mundo ouviu.
Fizeram da tua carne um campo e um grito,
da tua voz um erro, um som a calar;
mas eras sol erguido em rito infinito,
raiz que aprende a pedra a florescer.
Negaram-te o nome, o tempo, a razão,
vestiram-te a máscara da violência,
como se a dor fosse teu coração.
Mas tu és mito, memória e presença:
herói eterno da sobrevivência,
homem inteiro na própria canção.
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