No pó das eras cai a velha torre,
Coruja cega do passado exausto;
Mas no silêncio onde o tempo morre
Gira um novo astro, lento e infausto.
Toda ruína guarda um ventre oculto,
Pedra partida sonha outra canção;
O que desaba ergue, em seu tumulto,
A forma escura de uma nova visão.
Pois nada nasce sem primeiro arder,
Nem há começo sem um fim ferido;
O mundo aprende caindo a viver,
Em giros que o espírito tem repetido.
Assim o fogo que tudo desfaz
É o mesmo fogo que o futuro traz.
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