terça-feira, 19 de outubro de 2021

A moça de olhos puros

 A moça de olhos puros

Chorando no pátio vermelho, Segurava o manto velho Sinal do amor dos muros. Cada lágrima o dia Carregava sua tristeza. E brilhava a pureza Do seu amor que perdia. Adeus, disse a moça, Vendo o galope ligeiro. Partiu para sempre o seu amor verdadeiro.

Vi o seu nome

 Vi o seu nome

Na frente do mar. Pus-te a amar E sem querer some Sua silhueta Não mais me ampara. E nunca mais para Meu choro de poeta. Vago sem ti E suspiro ao poente. Depois, resistente, Canto para ti.

A resposta

 A resposta

Vi tal menina, sentada Na frente de casa, tão linda, Me disse com voz arfada: "Sou a juventude perdida?" Poderia eu, poeta sem lua, Dizer a pequena palavra fria? "Menina, quem poderia Dizer-te coisas tão sua?"

Quem vou deixar aqui?

 Quem vou deixar aqui?

Aquele ramo, Pedra, o azeita, Vou colocar no meio do oceano Todo o meu esperma, E meus filhos serão sal, Espumosas ondas. Vou me abandonar, Não, vou existir, Até o fim serei. E pensarei em ti, O não existente, existente.

Só vou escrever uma vez

 Só vou escrever uma vez.

Porque não nasci para escrever. Nasci apenas para ver As árvores, o Mar, as nuvens. Nem em ti posso pensar, Porque pensar é querer, Quer é sofrer, sofrer é sonhar. Deixai-me quieto.

Breve tempo

 Breve tempo, breve suspiro,

Deixai escrito: "Só posso escrever
Tomando café, não chá".
Deixai sonhar, cantar, meu coração.

Lágrimas, que te quero. Amor, trevas.
Sonhei acordado com ela.
Não era outro o que estava ali?
Sombrio sonho, versos.

Forjarei tudo. Ai, de mim.

Canta, canta

 Para que te endureces, coração?

Canta, canta, e novamente, canta. Retorna a primazia da emoção. E te ardes, e te emocionas, tanta Carga de energia criativa que Te sonda a alma em mistério. Escreve o teu belo sortilégio, E que arde em teu enfoque Nesses assuntos belos!