Nas altas torres onde a luz habita,
Reina o Primeiro, cuja glória é infinita.
De ouro é seu trono, de chamas sua coroa,
E a sua mão o fogo azul entoa.
Com o escudo de prata e cinco estrelas puras,
Ele teceu do cosmo as formosuras.
Os elfos, temerosos da grandeza,
Chamavam-no "O Outro", guardando a nobreza
Do nome sagrado que a língua não ousa,
Pois a sua força é vasta e misteriosa.
Mas na penumbra onde o abismo se estende,
O irmão sombrio e terrível acende
O ódio profundo que a mente consome:
Nefastus, a aranha de humano nome.
Do vazio frio, onde o nada impera,
Ele ataca a obra que o Primeiro gera.
Planetas e sóis, na dança criada,
Sofrem a ira da besta alada.
Ao fundo do poço o Arcano foi levado,
Mas jura vingança o irmão revoltado.
A luz e a treva em eterno combate,
Até que o tempo o ciclo desate,
E a graça do alto desça e encerre
A antiga dor desta infinda guerra.
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