Vasta e murmurante escuridão de sonhos
onde os mortos ensinam sem falar,
gira a alma em seus círculos medonhos
como astro oculto a reaprender a amar.
Ali o tempo veste máscaras lentas,
reis dormem sob a relva do porvir,
e antigas ordens, graves e sedentas,
traçam no escuro o que há de ressurgir.
Nada é fim: é retorno transfigurado,
espiral onde a queda é ascensão;
o caos é apenas rito mal decifrado.
Quem ousa ouvir o murmúrio inicial
sabe: o destino é sonho disciplinado
pela mão invisível do Imortal.
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