segunda-feira, 3 de agosto de 2026

UMA VISÃO POÉTICA DO PENTECOSTES CRISTÃO

 O silêncio do império pesa sobre a pedra,

e a lei,  fio esticado no vazio,

rompe-se no nome que a tarde decifra.

Cristo: o termo, o cume, a margem do rio.

A Igreja respira como um corpo de arcos,

onde o sangue circula semântico e cru,

enquanto o século chora, disperso nos barcos

sob o juízo de ferro do céu sul.

No pão partido que a memória sustém,

a Ceia brilha, lâmpada antiga no altar,

e o Oriente recolhe o dom que vem

da presciência que sabe o sol olhar.

Mas a teologia não cruza o mar do ocidente:

lá, o destino forja a sua lâmina fria,

enquanto a ásia reza, silenciosa e clemente,

à margem da predestinação e do dia.

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