Além das fronteiras do mundo que habitamos,
Onde os mares gelam e de frio trememos,
Balrongui, o monstro de escamas e breu,
Rasgou com suas asas a paz do nosso céu.
Levou a doce Astrid, de beleza serena,
Para o Norte escuro que o vento envenena.
Nas entranhas cegas de um fosso sem fim,
Onde a luz não toca e não brota o jasmim,
A princesa padece em seu rude grilhão.
Um espírito preso na cova do dragão;
As pedras da gruta são mudas à dor,
Um frio calabouço roubando-lhe a cor.
E lá no castelo, onde o sol já não brilha,
A Rainha Helga chora a perda da filha.
A razão fugiu-lhe num grito de espanto,
Sua mente afogou-se num pélago de pranto.
Passeia aos farrapos, vagando ao léu,
Louca e sombria, amaldiçoando o céu.
Mas Bard, o monarca, não dobra o joelho,
Seu rosto é de pedra, seu ódio, vermelho.
Erguendo a coroa num mundo funesto,
Jurou por vingança um lúgubre protesto:
O som dos clarins rasga o véu da alvorada,
Dez mil alabardas seguem sua espada!
Marcham para o Norte, pro fim do universo,
Onde o fado é cruel e o tempo, perverso.
Que o ferro dos homens abata o terror,
Desafiando a morte, a fera e a dor,
Até que Balrongui expire no chão,
E Astrid se livre da vil escuridão.
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