terça-feira, 25 de agosto de 2026

O Cativeiro no Gelo

 

Além das fronteiras do mundo que habitamos,

Onde os mares gelam e de frio trememos,

Balrongui, o monstro de escamas e breu,

Rasgou com suas asas a paz do nosso céu.

Levou a doce Astrid, de beleza serena,

Para o Norte escuro que o vento envenena.


Nas entranhas cegas de um fosso sem fim,

Onde a luz não toca e não brota o jasmim,

A princesa padece em seu rude grilhão.

Um espírito preso na cova do dragão;

As pedras da gruta são mudas à dor,

Um frio calabouço roubando-lhe a cor.


E lá no castelo, onde o sol já não brilha,

A Rainha Helga chora a perda da filha.

A razão fugiu-lhe num grito de espanto,

Sua mente afogou-se num pélago de pranto.

Passeia aos farrapos, vagando ao léu,

Louca e sombria, amaldiçoando o céu.


Mas Bard, o monarca, não dobra o joelho,

Seu rosto é de pedra, seu ódio, vermelho.

Erguendo a coroa num mundo funesto,

Jurou por vingança um lúgubre protesto:

O som dos clarins rasga o véu da alvorada,

Dez mil alabardas seguem sua espada!


Marcham para o Norte, pro fim do universo,

Onde o fado é cruel e o tempo, perverso.

Que o ferro dos homens abata o terror,

Desafiando a morte, a fera e a dor,

Até que Balrongui expire no chão,

E Astrid se livre da vil escuridão.

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