Flores e Frutos
Flores e Frutos:
no jardim do meu coração
dançam com luas brancas
estagnadas e frias.
Flores e Frutos:
no jardim da minha alma,
asas de coração quebrado
que eu já amei um dia !
Flores e Frutos:
alecrim que usei.
Flores e Frutos:
alecrei... que amei um dia...
A Lua
A Lua é uma menina morena
que anda de chapéus nublados
pelo céu encarcerado de
estrelas bonitas.
Já te amei algum dia?
A Lua é uma menina morena...
tem seios duros de estanho.
A Lua é uma menina sombria
que não ri nem acena adeus.
Já te amei algum dia, amor meu?
O Cavalo
Esse céu pálido e nublado,
essa chama de seus cascos,
para onde percorres assim
tão rápido, amor?
Meu coração é feito de vidro,
caiu no chão, espatifou.
Só eu ouvi os seus cascos
percorrendo meu coração?
Amor, eu não duvido de nada.
És um cavalo preto e mágico
que percorre os cinzentos ares.
Posso dormir acordado.
Mas meu coração de vidro,
caiu no chão. ESPATIFOU!
POESIA
Amor, por favor,
não tente entender a poesia.
A poesia é uma nuvem
ou uma eterna melancolia.
A poesia é o pulsar do
peito dos poetas coroado
por névoa e água muito fria.
Amor, por favor, não tente
entender nada da poesia.
A poesia se comunica apenas
com a alma dos homens,
com as igrejas barrocas,
com a luz ensolarada do dia.
A selva das cidades
A selva das cidades
invadiu o meu peito um dia.
Walt Whitman, que
barba elegante essa que
tens... Traz-me seus poemas
e vamos lê-lo no muito além.
Lorca me visitou esses dias,
tinha o rosto dourado e muitas
melodias...
A selva das cidades
invadiu o meu peito um dia.
A dor da ausência
Ay, de mim!
Sou do tipo dos poetas que
esperam pela
inspiração.
Mas eu digo que a minha
preguiça é o motor do meu coração.
Ay, de mim!
Sou incapaz de desejar
as coisas mínimas que querem de mim.
Não posso desprezar a natureza do meu ser.
Lançai meu corpo para debaixo do mar,
lançai o meu corpo para fora da terra.
Não, amada minha,
não, eu já disse mil vezes que não,
não sou daqui,
não tenho futuro nem presente.
Sou parte do esquecimento,
sou amante do poente.
Ay, de mim!
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