A lua, esse cachorro dourado,
late para as ondas que não voltam mais.
E ali, nos portos, onde o sal é pecado,
vejo-as curvadas sob os lutos dos cais.
São mulheres marinhas, negras e imensas,
com cheiro de peixe, de óleo e de flor.
Têm a pele de noite, têm mãos de sentenças,
esperando o meu peito, esse estranho senhor.
Ah, meu coração de prata, pequeno e vadio,
quer ancorar no colo dessas damas de breu!
Elas guardam o mar dentro de um calafrio,
enquanto o vento solta o que ainda é meu.
Eu sou apenas um poeta, um pobre cigano,
beijando o abraço dessas mães de metal.
Pois no porto negro de cada oceano,
meu coração de prata se sente real.
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