segunda-feira, 27 de abril de 2026

O Cais de Ébano

A lua, esse cachorro dourado,

late para as ondas que não voltam mais.

E ali, nos portos, onde o sal é pecado,

vejo-as curvadas sob os lutos dos cais.

São mulheres marinhas, negras e imensas,

com cheiro de peixe, de óleo e de flor.

Têm a pele de noite, têm mãos de sentenças,

esperando o meu peito, esse estranho senhor.

Ah, meu coração de prata, pequeno e vadio,

quer ancorar no colo dessas damas de breu!

Elas guardam o mar dentro de um calafrio,

enquanto o vento solta o que ainda é meu.

Eu sou apenas um poeta, um pobre cigano,

beijando o abraço dessas mães de metal.

Pois no porto negro de cada oceano,

meu coração de prata se sente real.

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