Poema de Cal e Âmbar
Na penumbra, o lençol era um deserto
onde a lua se fez manhã, curva e pausa.
Tua cintura delgadíssima — junco e faca —
inventava o silêncio que o dia causa.
Teus quadris cheios, arcos de uma ponte,
sustentavam o peso de mil anos de rito;
geometria sagrada, terra de horizonte,
onde o desejo se torna um grito infinito.
As transbordantes taças dos teus seios
eram oferendas de leite e de metal,
como as esculturas do sul da Índia,
estáticas no tempo, puras no cristal.
Toda tu, nua em minha cama,
eras o templo de um deus que não descansa;
entre o mármore frio e a viva chama,
o mundo parava sua antiga dança.
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