quarta-feira, 25 de março de 2026

Poema de Cal e Âmbar

 Poema  de Cal e Âmbar

Na penumbra, o lençol era um deserto

onde a lua se fez manhã, curva e pausa.

Tua cintura delgadíssima — junco e faca —

inventava o silêncio que o dia causa.


Teus quadris cheios, arcos de uma ponte,

sustentavam o peso de mil anos de rito;

geometria sagrada, terra de horizonte,

onde o desejo se torna um grito infinito.


As transbordantes taças dos teus seios

eram oferendas de leite e de metal,

como as esculturas do sul da Índia,

estáticas no tempo, puras no cristal.


Toda tu, nua em minha cama,

eras o templo de um deus que não descansa;

entre o mármore frio e a viva chama,

o mundo parava sua antiga dança.

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