FLOR ABERTA
Essa flor aberta,
pétala de sede e estrada,
ronda o vento sem miragens.
Corpo delgado e salgado
de peixe que toco,
com a minha língua amargurada.
Amargurante metal,
silêncio de água e nada.
Mel
Porta raspadinha
de cana e de aço.
Pela fresta do tempo,
em silêncio eu passo,
fogo e mel de lua
descem pelos lados,
escrevendo na sombra
nossos nomes dourados.
Jardim
Eu vi, mamãe, fruto no jardim,
juro que vi, de marfim e cetim.
A menina peruana,
com mãos de cana,
acenando para mim.
Borboletas no jardim,
nua como o jasmim,
entre o sol e o querubim.
Geometria do Instante
O círculo da hora
não tem saída.
O triângulo do vento
fere a medida.
Simples canção
de geometria,
o tempo é um quadrado
de cinza e agonia.
O ponto é o agora.
A linha é o esquecimento.
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