quarta-feira, 25 de março de 2026

FLOR ABERTA...

 FLOR ABERTA

Essa flor aberta,

pétala de sede e estrada,

ronda o vento sem miragens.


Corpo delgado e salgado

de peixe que toco,

com a minha língua amargurada.


Amargurante metal,

silêncio de água e nada.



Mel

Porta raspadinha

de cana e de aço.

Pela fresta do tempo,

em silêncio eu passo,


fogo e mel de lua

descem pelos lados,

escrevendo na sombra

nossos nomes dourados. 



Jardim

Eu vi, mamãe, fruto no jardim,

juro que vi, de marfim e cetim.

A menina peruana,

com mãos de cana,

acenando para mim.


Borboletas no jardim,

nua como o jasmim,

entre o sol e o querubim.



Geometria do Instante

O círculo da hora

não tem saída.

O triângulo do vento

fere a medida.


Simples canção

de geometria,

o tempo é um quadrado

de cinza e agonia.


O ponto é o agora.

A linha é o esquecimento.




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