O dia cinza, em água e em tormenta,
Numa obra em ruínas, o refúgio eleito;
O pau, não longo, mas de vulto e efeito,
Grossura rija que o desejo aumenta.
Na boca, a fonte que o prazer sustenta,
O gosto cru, o instinto, o preconceito;
Chupo o metal que a sede traz ao peito,
Enquanto a chuva o teto, enfim, esquenta.
Cinquenta reais, a paga da jornada,
O pacto selado sob a lona e o entulho,
Na solidão daquela noite entrada.
Guardei o vulto, o brilho do mergulho,
Pois na memória, em lousa desenhada,
Aquele membro foi meu primeiro orgulho.
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