quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Batismo sob a Chuva


O dia cinza, em água e em tormenta,

Numa obra em ruínas, o refúgio eleito;

O pau, não longo, mas de vulto e efeito,

Grossura rija que o desejo aumenta.


Na boca, a fonte que o prazer sustenta,

O gosto cru, o instinto, o preconceito;

Chupo o metal que a sede traz ao peito,

Enquanto a chuva o teto, enfim, esquenta.


Cinquenta reais, a paga da jornada,

O pacto selado sob a lona e o entulho,

Na solidão daquela noite entrada.


Guardei o vulto, o brilho do mergulho,

Pois na memória, em lousa desenhada,

Aquele membro foi meu primeiro orgulho.

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