terça-feira, 14 de janeiro de 2025

hashageacha - poemas

 

                            hashageacha



TORRE
   para isabel, minha esposa
eu não sei para onde vai o meu coração, se a torre de cura é um titã que irá destruir minha espada sem especificar meu destino. Ó, minha doce clandestina, Ó sociedade que progride sem entender que seu progresso é uma afronta à natureza. Deixa que meu pensamento fique banhado nessa luz oculta. Não, não existimos e a vida não faz nenhum sentido. Vamos viajar para a lua, nessa torre obscura onde a carta que ela irá receber anuncia a velha terra que a nova terra está sendo preparada, só que absurdamente não existe ninguém para habitar naquele jardim do éden destroçado pela mentira e pelo fanatismo.
o sistema solar já não é a nossa esperança, vamos, quantas revistas eu levei pelo braço, eu não quero ser o escolhido dos humanos, o universo não está preparado para uma nova terra, e eu fico velho com esse orgulho, e todo esse conhecimento perdido em transe quando me chamaram de arrogante, e eu na mais doce e pura ignorância sem saber que o coração ressoa exausto dessa longa viagem chamada vida. Ó quantos caminhos de ficção científica. Deixem que eu, o velho anão barbudo e o duende ganancioso, fitar a brilhante inocência das estrelas, porque Dante está com Beatriz em seu túmulo chamado literatura, e o futuro só pode ser previsto pelo Deus vivo dos hebreus.

O DRAMA
  para kenzaburo oe
eu queria ter a visão pura do futuro dos sonhos, eu queria ver terras e novas eras e me sentir feliz a serviço da liberdade e da humanidade, eu queria ter tempo para fazer pinturas mágicas que capturassem a gota do orvalho e refletissem o cosmos dentro de um beijo angelical, infelizmente essas descobertas levaram o fantasma da minha recitação embora, e eu soube apenas que o dinheiro é um pedaço de papel que consegue deixar os humanos loucos com muita força, essa inativação dos sentidos e essa minha teoria de querer ser tantas pessoas, e mesmo assim eu vou nesse sistema visual que não é meu, e já não sei se vejo aquela árvore ou se sinto o amor, eu que um dia já sonhei em pisar na lua, justamente eu...essas dioptrias do olho essas invenções fabulosas, essas ligas das nações aberrações da paz não é, eu queria ser tão disperso e sei que quando sonho já não sou eu porque eu sonhei que estava transando fodendo uma boceta de uma linda morena mas eu estava dormindo e por fim percebi que o mundo é feito de faróis e gás que a escrita é apagada pelo tempo assim como os ossos se tornam apenas o trapo que carrega essa pele que temos em enzimas fermentivas de açúcar chamado pó.eu queria ter um elevado idealismo e poder ter uma vivida imaginação que iria me levar até a paz da dissociação mágica, e meu futuro seria essa válvula automatica dentro de um buraco negro sagrado, e eu aprendi, muitas coisas, e agora que eu já não sei quem sou, apenas percebo que dentro desse coração o dramatico lirismo desse drama que com força leva minha alma fisiológicos e químicos delirios de querer confrontar a humanidade, sempre vão, sempre vã, entendam: fundamental trabalho, labor de escrever sem desejar mais nada desse sistema falso e moribundo em que todos nós estamos sem querer.


DIMENSÃO RELIGIOSA PARA O FRIO
  magnífico som, vamos, magnífico, vamos, eu queria ser a neve translúcida desse seu coração, agora através dessas imagens que me pulsam do peito, a realidade fria irá entrar dentro de sua alma assim como o vento frio desse ventilador está na minha, escutem bem, faz frio na cidade e eu não estou com blusa de frio, e estou escrevendo sentado, porque me falta inspiração para pintar, eu estava lendo algumas coisas que escreveu pablo picasso, e sinto o vento frio da suécia entrando, entrando devagarinho no meu quarto, e já posso me sentir um brasileiro escadinavo, e claro, rupturas de sol me deixam mais próximo da lua.ah, frio, com que força eu gostaria de criar um mundo imaginário onde a vida e o mito pudessem se condensar para formar uma coisa só, e assim, deixar o amor ser a salvação da minha alma, esse é o último poema que irei fazer antes de ir fechar a janela, porque os meus dentes trincaram de tanto frio.


O CÉU MEIO ESCURO OU VENDO A NUVEM PASSAR AO MEU LADO
Sinos e faixas passam por mim, caminhos gelados, ventos do escuro, há um segredo desse caminho que não pode ser revelado em momento algum, escutem: a tristeza dos vivos não é a mesma dos mortos, deixem os mortos em paz, o grande enigma da vida é esse, segredos segredos e nada mais, o piano durante nossa vida irá ficar quieto, e o lado direito do nosso corpo irá tocar uma canção de ninar, não iremos ler poema algum fora das fábricas, não iremos dizer nada, o mundo por sí mesmo irá se acabar, seja em surrealismos ou visões místicas, os aspectos universais da mente humana são uma tragédia, e quão duro é a vida de um homem que chora suas lágrimas em oculto. o céu meio escuro ou vendo passar a nuvem do meu lado faz com que a queda das folhas nesse outono seja longas e quem nos ama já não está ali abaixo, perto dos morangos silvestres, cansada e desgastada está a nossa alma, e vamos tristes agora, e dentro dessa tristeza há uma abelha e uma lágrima em nossa sobrancelha, e vejamos , foi o inverno ou o outono que tocou a campainha de novo.
admiramos as longas árvores que diante de nossos olhos se levantam, vamos, até que a paixão brote de novo, meditemos, meditemos irmãos, beije o chão e uma gota cairá do céu, uma última demonstração de afeto de um deus irado. e por fim poderemos descansar felizes em um túmulo onde o amor que tínhamos se perdeu.


A SEGUNDA VINDA
Eu vi o ser humano senhor, e a visão foi horrível: que criaturas essas, não é melhor tu, que é sábio e onipotente, e adoras ser bajulado, ficar um pouco mais ausente enquanto esses seres feito de trapos de carne e osso se matem uns aos outros? veja bem senhor, eles são tua imagem e semelhança, e que tristeza para um deus perfeito ser comparado a esses demônios, porque eu não posso fazer outra coisa se não categorizar esses humanos em demônios atormentadores e almas atormentadas, e não dói senhor o teu coração diante de tanta maldade, se o teu coração invisível e falho não dói, o meu dói senhor, e é melhor para tu e eu abandonarmos essa questão de uma nova vinda tua, porque, óh deus dos cristãos miseráveis, não vês que as bombas atômicas podem muito bem destruir o mundo, ao invés de ti, levantar sequer teu dedo? é bom que tu descanses mais, já trabalhastes seis dias, e isso cansa muito.

O TÚMULO DOS VAGA-LUMES
em tempos como estes, 
é melhor não dizer nada, 
mesmo que o poeta trabalhe 
e se canse dia e noite, 
é bom para ele 
manter a boca fechada.


NOITE ESCURA
Eu, que negava a mim mesmo, desmaiei; 
o jardim morreu antes do que eu, 
e eu não vi nenhum fruto na minha mão;
 Deus tirou o chiado da floresta, 
e da boca de um fauno
 vieram as coroas das fadas até mim. 
Hoje eu durmo, 
e a noite escura me rodeia. 
A velhice cria uma tensão imensa,
  mais é bom se recordar 
de ser feliz em
 simbologias antigas.


CONFISSÃO
Seja céu ou seja terra, vamos lá, mais um dia, menos um dia, tanto faz, eu queria muito que essa forma poética preenchesse o vazio da minha prosa que não existe mais. Passe os olhos pela vida e pela morte, camarada, siga em frente, não existe nada que assuste mais o peixe do que o fim do mar. Ocultismo e nacionalismos, tudo isso é coisa de pré-histórico animal, sejamos vãos sem pensar em nada, meu amor por ti irá durar até meus ossos esfarelarem. Amor, eu estou aqui como sempre estive, e em voz alta irei falar: eu nunca amei ninguém, nem eu mesmo. Por favor deixe eu passar para frente ou para trás, porque tanto faz...
Vamos indo dentro dessa rede que me deixa ofegante. Por fim estarei na praia apaixonado e distante. 


DECIFRADOR DE VENTO 
Ah, esqueça as maças prateadas da lua em cima daquela bandeja onde está uma cabeça. Estou com medo desse lugar onde até os anjos têm um medo absurdo de pisar. É um fim, girando, girando cada vez mais em direção a outro lugar. Esse cemitério de gelo não é outra coisa que não o sol derretendo o nosso pensamento em mil pedrinhas e seixos de aço. Amigo, ela está doente, e esse amor não pode ser correspondido, eu sei disso, por isso eu quero apenas que você deixe a mera anarquia desse mundo solta em teu coração. Escute, é a águia que está vindo, e ela não pode escutar sua voz, hein? Agora que eu sou a velhice e estou nessa vala poluída, vamos, a adaga feita de dor não pode ser recusada nem esquecida, porque o amor e a guerra são uma carta perdida. A alma e o ego estão dentro dessa torre, e veja só, a capa que simboliza o dia é apenas um relógio para nos despertar desse tristonho sonho.

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