sexta-feira, 6 de março de 2026

O Cigano e o Pecado

 Dizem que ele apareceu na cidade e apenas o padre local foi lhe dar uma saudação gentil, embora o resto do povo da cidade achasse esse cigano Abelardo um ser muito mal encarado. -Veja só, diziam  por suas costas, ele não serve para nada, não trabalha, não sai, não planta. Como é que tem tanto dinheiro? O dono do bar local, o turco nacib dizia que talvez ele tivesse herdado o dinheiro, mas Jorge, não acreditava nisso: deve ser um ladrão, afinal, os ciganos são todos ladrões...

Acontece que Abelardo compra a casa, consegue ter muitas mulheres, porque ele tem um pão enorme, ele começa a fazer chover de tanto sexo que faz.



O Cigano e o Pecado


Abelardo chegou à cidade como uma sombra, envolto em mistério e olhares atravessados. O padre foi o único a lhe oferecer um sorriso, enquanto os outros sussurravam nas esquinas, entre copos de cachaça no bar do turco Nacib.  


—Herança? Bobagem! — rosnou Jorge, cuspindo no chão. — Esse aí deve ter roubado cada centavo.  


Mas Abelardo ignorava os murmúrios. Comprou a maior casa da praça, uma construção antiga de paredes grossas, onde os gemidos logo começaram a ecoar. Mulheres entravam pela porta dos fundos, uma após a outra, todas com os olhos ardendo de curiosidade e desejo.  


Rosa, a costureira, foi a primeira. Chegou sob o pretexto de ajustar suas cortinas e saiu cambaleando, as pernas trêmulas, os dedos ainda úmidos.  


—É um monstro — confessou à irmã, os lábios inchados.  


Mariana, a viúva, resistiu por três dias antes de bater à sua porta. Quando saiu, tinha as marcas dos dentes de Abelardo nos quadris e um colar de ouro no pescoço — presente, dizem, por ter sido "a mais apertadinha".  


Os homens da cidade roíam-se de raiva. Como um cigano solitário, sem trabalho nem terra, mantinha as mulheres tão ocupadas que o rio secou de tanto banho pós-encontro?  


Até que uma noite, durante uma tempestade, Abelardo desapareceu tão rápido quanto chegou. Deixou para trás apenas um rastro de lenços perfumados, lençóis manchados e um único bilhete pregado na porta da igreja:  


"Padre, reze por elas. Eu só dei o que pediram."  


Dizem que, até hoje, quando o vento sopra certo, ainda se ouvem suspiros vindos da casa vazia.  

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