terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Brasil, acordai: deveriamos fazer uma reforma agrária!

 brasil, país de terras sem fim,

de rios que carregam séculos,
de ventos que espalham sementes
como quem derrama esperança.

mas no teu chão imenso
há mãos que seguram tudo
e milhões que nada seguram.
há latifúndios que dormem
como gigantes preguiçosos,
e há homens e mulheres
que acordam famintos
diante da abundância.

brasil, acordai:
deveríamos fazer uma reforma agrária!
não como guerra,
mas como colheita.
não como grito vazio,
mas como pão dividido.

que a terra deixe de ser
o cofre fechado dos poderosos
e volte a ser o ventre generoso do povo.

porque nenhum país floresce
quando seu solo está preso
nas mãos de poucos.
porque nenhuma nação cresce
quando os camponeses carregam nas costas
o peso de séculos,
enquanto outros colhem ouro
daquilo que não plantaram.

que a reforma agrária venha
como chuva depois da seca,
como justiça depois da noite longa.
que devolva dignidade
a quem trabalha com as unhas,
a quem conhece cada pedra,
cada raiz,
cada estação de esperança.

brasil, acordai:
chegou a hora de abrir as porteiras
que a história trancou.
chegou a hora de derrubar muros invisíveis
construídos por ganâncias antigas.
chegou a hora de dizer
que o agro não pode ser feudo,
que a terra não pode ser moeda,
que o país não pode ser refém
da cobiça de uns poucos.

a reforma viria
como um novo sol,
clareando a vida
de todos os cidadãos brasileiros.

e então,
talvez pela primeira vez,
ouvir-se-ia nos campos do brasil
não o silêncio da injustiça,
mas o canto do povo
cultivando o futuro
com as próprias mãos.

brasil, acordai:
a terra chama.
e quem não escuta a terra
não escuta mais nada.

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