segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Observação sobre a Inclemência

 


A "chuva de agora" carece de propriedades     específicas; é um evento de pura         hidrodinâmica sobre o telhado. Não há vestígios de "você" nos meus sonhos —     aquela zona de "reconstruções arbitrárias"         onde a mente costuma arquivar o que perdeu.

Trata-se de uma "omissão deliberada" do subconsciente.     Como um espécime que se recusa a ser         classificado sob a lente do desejo, sua ausência é a prova de uma "ecologia limpa".     Onde antes havia o "sentimentalismo da neblina",         hoje existe apenas o rigor da água batendo no zinco.

A chuva, em sua "neutralidade absoluta",     não transporta o fantasma de nenhuma figura;         ela é apenas hidrogênio e oxigênio em queda. É preciso apreciar esta "austeridade do sono":     sonhar sem o peso da presença alheia         é a forma mais alta de independência biológica.

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