terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As Frutas da Estrutura

Verde-mar de sombra e sumo, 

A lua parte-lhes o talo. 

Ninfas de cristal e prumo,

 Choram desejo e desmaio.


A carne roxa se desfaz, 

No corpo que procura o corpo. 

Um canto de anjo na raiz, 

Um grito mudo de aborto.


Na mesa de madeira escura, 

Sonham coito e esquecimento. 

Escurece a doçura, 

Vento de morte no lamento.


Em seus ventres, mel e areia, 

Segredos de sal e paixão.

 Uma ferida que goteia,

 No coração da solidão.


Esmagadas, quase vivas, 

O suor da noite as beija. 

Uvas da terra cativas, 

Que o sono rubro não deseja.

Nenhum comentário:

Postar um comentário