segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A Sala


Não é uma questão de volume, mas de     uma "massividade latente" que repousa         sob o peso do teto. O sofá, como um dorso de couro cinzento,     exibe a imobilidade de quem não tem pressa;         um animal de quatro pés (ou pernas de madeira)

que respira através das frestas da janela.     Nesta "vasta bacia de quietude",         o tapete é o lodo seco onde ele se afunda. O sono de uma sala é um evento geológico:     uma criatura de "substância inabalável"         que ignora, solenemente, quem a habita.

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