No anfiteatro da asfixia, onde o nada
Triunfa sobre a lírica quimera,
A Morte, em sua túnica de hera,
Beija a medula da carne cansada.
Vem o Verme — operário da jazida —
Com sua boca de fome e de carinho,
Traçar no vácuo o fétido caminho
Que separa a carniça de outra vida.
"Oh, Noiva!" — diz o anelídeo à Caveira —
Enquanto sorve o húmus dos tecidos,
E em espasmos de dentes retorcidos,
Celebra a núpcias na caliça poeira.
É um amor de ácidos e de entranhas,
Onde o beijo é o vácuo da gangrena,
Nesta simbiose lúgubre e pequena
De larvas cegas e de formas estranhas.
Não há perfume, só o cheiro amargo
Do carbono que volta ao seio bruto;
O Verme é o filho, o amante e o tributo,
No abraço eterno do sepulcro largo.
E assim, na paz das células desfeitas,
A Morte ri, num gozo de esqueleto,
Pois sabe que o seu mudo e negro afeto
Mora nas bocas que a terra tem feitas!
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