No lodo azul da noite em convulsão,
Palpita um sonho trêmulo e ferido,
Buscando, entre espectros do infinito,
Um verbo eterno em negra vibração.
A alma — crisálida em decomposição —
Geme nas ânsias do indizível grito,
Pois tudo é névoa, abismo e labirinto,
E o ser é pó cantando a própria prisão.
Ó Caos! catedral muda de vertigens,
Onde os símbolos sangram como astros
E o Nada floresce em brancas origens.
Busco um sentido em teus desertos vastos:
Talvez no horror das trevas que me atingem
Brilhe Deus — como um relâmpago nos rastros.
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