quinta-feira, 30 de abril de 2026

De uma estrela à outra

 De uma estrela à outra, sua parte posterior

se abre

diante dos meus olhos


o cristal redondo

do cosmos pulsa

Da quella stella all'altra

 Da quella stella all'altra, il suo lato

 posteriore si apre

davanti ai miei occhi


il cristallo rotondo

del cosmo pulsa

Parlo solo d'amore!

 Parlo solo d'amore!


Perché?


Tutti hanno un amore.

farfalla rossa

 farfalla rossa



nel cielo

il vento

in faccia


nel mio cazzo


tu sorridi


vieni dentro


corpo


ma


la notte

tu mi baci

il mio


           spazio.

Questa notte passerà

 Questa notte passerà, vero? 

E saremo solo io, tu, la tua bocca 

sulla mia, l'infinito sole delle stelle.

I only talk about love!

 I only talk about love!


Why?


Everyone has a love.

poem for true

 red

  butterfly

in sky

the wind

in my face

in my dick

you smile

cum in 

body

    but

the night

you kiss in mi 

my 

    space.

terça-feira, 28 de abril de 2026

tarde de domingo

 

o que se passou naquela tarde de domingo não foi uma conversa de namorados como as que se ouvem nos bancos de jardim entre um beijo e uma promessa de fidelidade eterna porque júlia e rodolfo tinham essa mania de carregar o mundo às costas e niterói por mais que fosse bela não bastava para conter a tempestade que se armava entre os dois não senhor rodolfo olhou para o café já frio e disse que a vida era uma repetição sem fim um círculo que se morde e se consome e que se o tal do demônio aparecesse de noite a perguntar se ele queria viver tudo outra vez exatamente igual com as mesmas dores e as mesmas alegrias ele rodolfo diria que sim mas júlia que tinha os olhos postos num ponto invisível do horizonte interrompeu o raciocínio sem pedir licença nem usar vírgulas que o pensamento não se detém por formalidades gramaticais meu querido rodolfo tu falas do eterno retorno como se fosse uma escolha de menu num restaurante de luxo mas esqueces que o amor fati não é aceitar a tua vidinha de classe média com o teu escritório e o teu automóvel é amar o destino até nas vísceras da tragédia e eu pergunto-me se terias estômago para amar a tua própria ruína se ela te batesse à porta amanhã e ele respondeu que sim que era o além-do-homem ou pelo menos o projeto de um e júlia soltou um riso curto que parecia um estalido de ramos secos tu és apenas um humano demasiado humano rodolfo queres o super-homem mas não suportas a solidão de uma tarde sem me ligares queres a morte de deus mas procuras um sentido em cada esquina como se o cosmos tivesse a obrigação de te explicar o porquê de estarmos aqui sentados a fingir que percebemos o que o velho friedrich escreveu enquanto enlouquecia em turim e rodolfo ofendido porque o orgulho masculino é uma criatura sensível e de vidro disse que a vontade de poder era o que o movia mas júlia pôs a mão sobre a dele e a pele dela era o único absoluto naquele momento o problema é que passas tanto tempo a olhar para o abismo que te esqueces de olhar para mim e o abismo rodolfo não te vai fazer o jantar nem te vai dar um abraço quando a angústia apertar nitzsche era um solitário que gritava para as montanhas e nós somos dois tontos a gritar um com o outro num domingo de sol se deus morreu não foi para que o substituísses por um bigode filosófico mas para que fosses capaz de criar a tua própria luz e a minha luz agora é ir embora porque o eterno retorno deste teu mau humor já me cansa os pés e assim se levantaram deixando na mesa o rastro da discussão e o eco de uma filosofia que como todas as outras serve para muito pouco quando o que se quer na verdade é apenas saber se ainda se ama alguém no meio do caos de um universo que não nos ouve nem nos entende.

O Passado

 


O relógio de parede do Bar do Quincas — não o Borba, mas um Joaquim de carne, osso e poucas falas — batia as onze da noite com a fadiga de quem já contou muitos desatinos. À mesa do canto, o Dr. Alcebíades, advogado de causas mofadas e memória seletiva, girava o copo de conhaque como se tentasse decantar o próprio tempo.

— Ah, Joaquim! — exclamou Alcebíades, com a voz pastosa de uma nostalgia mal digerida. — Naquele tempo, sim, havia ordem. O país marchava! Podia-se andar na rua sem o sobressalto de hoje. As famílias eram sólidas, e o civismo, meu caro, o civismo era o pão de cada dia. Que saudade daqueles anos de chumbo... que para mim foram de ouro!

Joaquim, que limpava o balcão com um pano cujo encardido era a crônica da semana, parou o movimento circular. Olhou para o advogado com aqueles olhos de quem guarda o passado não em redomas, mas em cicatrizes.

— Ouro, doutor? — murmurou Joaquim, a voz saindo por entre um cansaço antigo. — Depende de quem batia o metal.

— Ora, não venha com sociologias de botequim! — atalhou o doutor, batendo na mesa. — Havia segurança. O sujeito respeitava a autoridade. O Brasil era um gigante que despertava, as usinas subiam, as estradas rasgavam o mapa...

Joaquim largou o pano. Na penumbra do bar, ele não via as usinas de Alcebíades; via a imagem de 1972, quando o medo entrava pela fresta da porta antes mesmo do sol. Lembrou-se do compadre Sebastião, que sumira numa tarde de terça-feira por causa de um panfleto esquecido no bolso, e cuja mãe morrera anos depois, com os olhos fixos na calçada, esperando um passo que o asfalto devorara para sempre.

— A ordem, doutor — disse Joaquim, aproximando-se do balcão — custava caro. O senhor via as luzes da cidade, mas eu via o preço do óleo subir antes do galo cantar. A miséria, que o senhor diz que não via, escondia-se sob as botas. O senhor sentia segurança porque o seu silêncio era o seu salvo-conduto.

Alcebíades soltou uma risada seca, curta, tipicamente machadiana em sua ironia involuntária. — Bobagem! Quem não devia, não temia.

— Temia-se até o pensamento, doutor. — O dono do bar fixou o olhar no copo vazio do cliente. — No meu bar, naquele tempo, os homens falavam baixo. Não sobre mulheres ou futebol, mas sobre o vizinho que podia ser um "orelha". O medo não era de assaltante; era de quem deveria proteger. E a fome? O senhor se esquece das filas, do milagre que só dava sombra para os donos do altar.

O advogado deu de ombros, buscando no fundo do conhaque a justificativa para a sua cegueira. Para ele, o passado era um quadro retocado, onde as manchas de sangue haviam sido cobertas por uma camada generosa de verniz autoritário.

— O senhor é um pessimista, Joaquim. O que vale é a glória da nação!

— A nação, doutor, são as pessoas. E as pessoas estavam mudas. — Joaquim retomou o pano e o balcão. — O senhor sente saudade da ditadura porque, naquela época, o senhor era jovem e o mundo parecia curvar-se aos seus pés. O senhor não tem saudade do regime; o senhor tem saudade da sua própria importância, que o tempo, esse sim o maior ditador, tratou de confiscar.

Alcebíades levantou-se, pagou a conta com um desdém aristocrático e saiu para a noite. Na rua, o silêncio era absoluto. O advogado sentiu um calafrio, talvez pela brisa, talvez por perceber que, embora o passado fosse o seu refúgio, ele era o único habitante de uma cidade fantasma onde a "ordem" era apenas o nome que ele dava à própria indiferença.

Joaquim apagou as luzes. No escuro, o Bar do Quincas guardava a verdade que os homens de linho preferiam esquecer: que a paz imposta pela força é apenas um cemitério onde a liberdade espera, pacientemente, pela ressurreição.

 

Os Negros


O sol de dezembro castigava o lombo da terra roxa, fazendo a poeira levantar em redemoinhos preguiçosos na chegada à Vila de Santa Cruz. Estácio, jovem de ideias arejadas pelos ventos da capital, desceu da diligência limpando o paletó de linho. Trazia na mala livros de sociologia e no peito uma curiosidade inquieta pelo "interiorzão".

Logo na entrada, a paisagem se dividia como se riscada a canivete.

De um lado, o Morro do Café. Ali, as casas ostentavam frentes de alvenaria, janelões de guilhotina e jardins onde o buxinho era aparado com régua. Nas varandas, brancos de bigodes circunspectos fumavam charutos, enquanto senhoras de pele pálida balançavam leques, protegidas da canícula pelas sombras das mangueiras centenárias. O tilintar de louça fina era o som daquela casta que o café — o ouro negro — havia coroado.

Do outro lado, atravessando o córrego que servia de esgoto e lavanderia, o Arraial de Baixo.

Ali, a cor mudava drasticamente. Eram os negros. Livres por lei, mas escravos da circunstância. Moravam em casebres de pau-a-pique, onde a lama seca parecia pedir licença para não desabar. Crianças de barriga crescida e pés no chão corriam atrás de vira-latas, enquanto mulheres de ombros curvados carregavam trouxas de roupa que pesavam mais que o próprio destino.

Estácio parou diante da venda do Seu Nonô, um sujeito de pele cor de pergumento e olhos espertos.

— Diga-me uma coisa, Seu Nonô — começou o jovem, apontando para o abismo social que separava os dois bairros. — Por que essa gente vive assim, no farelo, enquanto lá em cima a nata nada no leite? Abolimos a escravidão há décadas, não?

O velho Nonô deu uma tragada no cigarro de palha, soltando a fumaça com a lentidão de quem já viu muitas estações.

— Ah, o moço é dos "estudados", né? Pois olhe bem. A lei assinou o papel, mas não assinou o coração das terras. Lá em cima, o branco herdou a fazenda, o nome e o crédito no banco. Aqui embaixo, o negro herdou a liberdade de passar fome sem o chicote nas costas. A liberdade deles é como um pássaro que soltaram da gaiola, mas cortaram as asas antes.

Estácio sentiu um aperto no peito. Viu um velho negro, de barbas brancas como o algodão, sentado num toco de madeira. O homem tinha as mãos calejadas, transformadas em garras pelo trabalho bruto na lavoura que nunca foi sua.

— É um absurdo geográfico — murmurou Estácio para si mesmo. — A cidade é um tabuleiro de xadrez onde as peças pretas só servem para serem comidas pelas brancas.

— É a "ordem natural", dizem os doutores de lá — atalhou Nonô, com um pingo de sarcasmo. — Dizem que é falta de brio. Mas eu queria ver o filho do Coronel erguer aquele bairro do nada, começando com a mão vazia e o estômago roncando.

Estácio caminhou pela rua poeirenta, sentindo que o progresso do Brasil, tão decantado nos jornais da capital, era um edifício luxuoso construído sobre um pântano de injustiças. Ali, em Santa Cruz, o tempo parecia ter parado para manter o privilégio de uns e o sacrifício de muitos, como se a cor da pele ainda fosse o limite invisível entre o ser humano e a ferramenta de trabalho.

O jovem suspirou. Sabia que, enquanto o Morro não olhasse para o Arraial com olhos de irmão, o Brasil continuaria sendo essa "Vila de Santa Cruz": uma pátria grande, mas com a alma dividida pelo muro invisível do preconceito.

poesia

 poesia

o que é isso

que chamas

assim

miragem

parada

esplendida

esse meu caderno

vou deixar para

que outros cantem

o que eu cantei em

silêncio

um dia

As ondas do mar

 assim como o oceano

vem e vai

sua voz 

passa por mim

douravante bela

limpida e esplendida

uma canção sonora

digna de pássaro

cantar


a eternidade

vai deixar tua voz

zumbindo ao vento

por esses mares

e quem sabe

um dia teu nome


as ondas puras

voltem a chamar

pingente pendant

 pingente


essa alegria

passageira

pingente

cubista


pendant


this fleeting joy

pendant

cubist

Dois






 

Moura

 


Terra!


O grito

silencioso


o terreno

sol


a alma


o voo.

Conflito

 


...guerra interna...

!a alma voa!

sapos coaxam...

...

Visão

 


Fecho os olhos

te vejo

morros além

o corpo nu


 

a cama o chão.

Irmãos

 


De onde

sois?

O vento passa...

e depois

o nada...

Eclipse

 

Eclipse

Frio e escuro


o macho a fêmea

o nosso amor


sol.

Deserto Alvo

 


   Sabor negro

o gelo egípcio

além áfricas

diurnas.

Partida

 


Borboletas

 


Sabor negresco

 


Fábula africana

 


Ali os animais discutiam... fábula

 


Os antigos

 


Cabeça de leão corpo de mulher

 


Vamos comemorar o expressionismo alemão !

 


Estudos eróticos I

 

De onde vêm as pessoas?



O estranho vestido




Figuras modernas


Ela cavalga nas cores livres



Composição Neo-cubista

 


Eles dizem

 


Diante do corpo divino

 


Private Life

 


Variações

 





Favela Brasileira em estilo Keith Haring

 


Ilustração suméria

 


segunda-feira, 27 de abril de 2026

A árvore

 


Alguns trabalhos

 

Homenagem ao Negressor




Resolução perfeita




Eu e a paisagem de Picasso




Eu e o Pintor de Picasso


Picassiano




Variações místicas de photos arcaícas : designer gráficos

 




















Composição cubista Cubist composition

 


Os ídolos tribais Tribal idols

 


Anatomia para o esquecimento humano Anatomy for human forgetfulness

 


amor é uma  foice  amor é uma

 


o uso do amor é uma foice

 


Nevoeiro

 nas ditas manhãs 

de nevoeiro teu 

corpo agreste açaí maduro

A noite

 da noite pura o silêncio no coração

Versos

 a palavra é o átomo!

Existência

onde o espaço 

em branco

 é o grito

Manhã

 


Clarão 

fecundo.

E S C U T A

 


O Cais de Ébano

A lua, esse cachorro dourado,

late para as ondas que não voltam mais.

E ali, nos portos, onde o sal é pecado,

vejo-as curvadas sob os lutos dos cais.

São mulheres marinhas, negras e imensas,

com cheiro de peixe, de óleo e de flor.

Têm a pele de noite, têm mãos de sentenças,

esperando o meu peito, esse estranho senhor.

Ah, meu coração de prata, pequeno e vadio,

quer ancorar no colo dessas damas de breu!

Elas guardam o mar dentro de um calafrio,

enquanto o vento solta o que ainda é meu.

Eu sou apenas um poeta, um pobre cigano,

beijando o abraço dessas mães de metal.

Pois no porto negro de cada oceano,

meu coração de prata se sente real.

Noturno

 

Noturno

Noite. Silenciosa.

Luvas de veludo no céu.

Asas que abrem e fecham o vácuo.

Mariposas: são o batimentos

 de uma lua em luto.

O luar escuro 

bebe a sombra do voo.

Alvenaria de Luz

 


domingo, 26 de abril de 2026

você...

 você

nua

somos

é uma

lua

nua

você

Tempos

 


Solidão erótica

 minha poesia

se entrega

navegando pelas

gálaxias


e lá fora

um olho imóvel

pisca para mim


seu cuzinho raspadinho.

PORVIR

 falemos pouco

sobre o que nos

move a prosseguir:

o sal do sol

o açúcar da lua

o mel das abelhas estrelares.

O oráculo prenuncia algo

 tentar falardesse

mistério incomodo

que range

o asfalto

e a serenidade



ficar perdido

entre o muro e os teus peitos

sacos de farinhas negros

imensos


mas

por fim o mar

pode levar meu corpo

eu quero ser pedra manchada

de algas


no fim do universo.

destinoaoesquecimento

 


PAISAGEM MISTERIOSA

 


Tempestade

 


Novotemporal

 


chorim shchorim

 


EXILADO