Adamantina: ferro no nome,
poeira no passo lento das ruas;
trens que dormem, ferrugem que some
no apito morto das tardes cruas.
A infância ali foi sino e atraso,
relógio quebrado no pátio da estação;
escolas ásperas, giz sem prazo,
lição de medo e repetição.
O povo — gentil no gesto que fere —
atira pedras sorrindo em procissão;
reza de vitrine, fé que se mede
pela roupa, pelo olhar, pela posição.
E eu, menino, fazia versos no chão:
apedrejado, aprendi a canção.
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