terça-feira, 30 de dezembro de 2025

STÁLIN


(homenagem ao homem do aço)

Stálin —
nome curto
como um golpe de martelo.

Cinco letras
cravadas
no século
como rebites
numa ponte sobre o caos.

Não homem:
liga metálica.
Não voz:
sirenes de fábrica
acordando a madrugada.

Ele não anda —
desloca o tempo.
Não fala —
imprime decretos
no pulmão da História.

Stálin!
O frio da Sibéria
aprendeu disciplina
em seus olhos.
O trigo cresceu em linha reta
com medo
e com esperança.

Homem do aço —
fundido
no forno da Revolução,
onde os ossos do czarismo
viraram escória
e o futuro
era uma bigorna vermelha.

Punho cerrado do século XX!
Teu bigode
é uma fronteira política.
Teu silêncio
vale mais que discursos.

O mundo —
esse velho capitalista asmático —
tremeu
quando teu nome
atravessou o rádio
como um trem noturno
sem bilhete de volta.

Stálin,
tu és
o verso duro
que não rima,
a palavra que não pede licença,
a sentença
gravada em aço-carbono.

E a História —
essa tipografia brutal —
ainda imprime
teu nome
em letras
que rangem.

Porque há homens
que passam,

e há homens
que pesam
como fábricas
sobre os séculos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário