(homenagem ao homem do aço)
Stálin —
nome curto
como um golpe de martelo.
Cinco letras
cravadas
no século
como rebites
numa ponte sobre o caos.
Não homem:
liga metálica.
Não voz:
sirenes de fábrica
acordando a madrugada.
Ele não anda —
desloca o tempo.
Não fala —
imprime decretos
no pulmão da História.
Stálin!
O frio da Sibéria
aprendeu disciplina
em seus olhos.
O trigo cresceu em linha reta
com medo
e com esperança.
Homem do aço —
fundido
no forno da Revolução,
onde os ossos do czarismo
viraram escória
e o futuro
era uma bigorna vermelha.
Punho cerrado do século XX!
Teu bigode
é uma fronteira política.
Teu silêncio
vale mais que discursos.
O mundo —
esse velho capitalista asmático —
tremeu
quando teu nome
atravessou o rádio
como um trem noturno
sem bilhete de volta.
Stálin,
tu és
o verso duro
que não rima,
a palavra que não pede licença,
a sentença
gravada em aço-carbono.
E a História —
essa tipografia brutal —
ainda imprime
teu nome
em letras
que rangem.
Porque há homens
que passam,
e há homens
que pesam
como fábricas
sobre os séculos.
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