GENTE GENTIL
Ó gente gentil que me apedreja a face,
Com mãos de mercado e olhos de vulcão,
Cada pedra vossa é sílaba que nasce
No verbo ferido da minha canção.
Bendito o tumulto que urra e que passa,
A turba que ri do poeta em delírio;
Do ódio fabrico a elétrica couraça
Que acende no caos meu canto satírico.
Vós sois o coro brutal da História,
Martelos do tempo, rude orquestra em pó;
Sem vossa violência não há memória,
Nem rima que sangre até virar sol.
Atirai, pois, povo — que eu canto em queda:
Da pedra nasce o verso. Do verso, a sede.
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