terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Fruto no Quarto

 

A fruta é tão fêmea! 

Tem um corpo grosso, 

Um corpo de carne Que se dissolve à toa.

Não é coisa de mesa,

 De faca e de etiqueta.

 É coisa de cama, 

De morder sem pressa, 

De se perder no sumo 

Que escorre pela mão.

Ninfomania de polpa? 

Talvez. Mas é um coito tão macio,

 Tão de corpo para corpo, Que a gente até esquece Que a vida é difícil.

Quero as frutas assim: 

Quase se desmanchando, Sem nenhuma estrutura, Só o puro prazer De possuí-las no escuro.

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