terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Verme e a Morte


No úmido silêncio da terra fria,  

O verme tece amor à Morte escura,  

Ela, de braços pálidos, o acolhia,  

Num abraço que a podridão assegura.  


Seu beijo é lento, feito de desvelo,  

Carícia que no osso ainda persiste,  

E ele, humilde, devora-lhe o desvelo,  

Num festim que nem o tempo resiste.  


Oh! Paixão que os vivos não compreendem,  

Laço eterno entre a larva e o fim sombrio,  

Amor que as flores do jazigo vendem—  


Pois na decomposição há brilho e ardor,  

E no ventre da terra, escuro e frio,  

Nasce a vida da união com a dor.

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