No úmido silêncio da terra fria,
O verme tece amor à Morte escura,
Ela, de braços pálidos, o acolhia,
Num abraço que a podridão assegura.
Seu beijo é lento, feito de desvelo,
Carícia que no osso ainda persiste,
E ele, humilde, devora-lhe o desvelo,
Num festim que nem o tempo resiste.
Oh! Paixão que os vivos não compreendem,
Laço eterno entre a larva e o fim sombrio,
Amor que as flores do jazigo vendem—
Pois na decomposição há brilho e ardor,
E no ventre da terra, escuro e frio,
Nasce a vida da união com a dor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário