O ferro chorava nas forjas esquecidas
quando os dragões rasgaram o céu antigo.
Não houve arauto, nem estandarte erguido:
a guerra nasceu como nascem as pragas,
em silêncio, sob a pele do mundo.
Os elfos vieram das florestas de raiz profunda,
olhos cheios de eras, mãos cheias de luto.
Traziam lâminas finas como promessas
e canções que lembravam ao vento
que tudo o que vive também pode morrer.
Os dragões, feitos de escama e memória,
cuspiam fogo como quem conta a história
dos deuses que falharam.
Cada asa batida era um juramento antigo,
cada sombra no chão, uma cidade por nascer em ruínas.
Entre eles, os materiais sombrios:
ossos de reis, pedras que beberam sangue,
espadas temperadas em traição,
amuletos que só funcionam
quando o portador já perdeu a esperança.
A terra partiu-se em vales negros,
os rios ferveram como caldeirões de culpa.
Não havia bem nem mal —
apenas sobrevivência,
essa deusa faminta que exige tudo.
Quando a guerra terminou (se terminou),
ninguém escreveu os nomes dos vencedores.
Os elfos voltaram mais silenciosos,
os dragões dormiram sob montanhas quebradas,
e o mundo seguiu adiante, cicatrizado.
Mas à noite, quando o vento muda,
o fogo ainda respira sob a pedra
e as árvores sussurram em línguas antigas:
algumas guerras não acabam —
apenas aprendem a esperar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário