Havia uma noite carregada de folhas,
uma noite pesada de silêncios
e amigos, onde o café
era apenas um cheiro vago no escuro.
Mas entre as fileiras de arbustos,
o mundo se estreitava para que apenas
dois corpos coubessem no segredo.
Natan guardava em si a cor da terra profunda,
um contraste de sombras sob o luar oculto.
Houve o gesto natural, o fluxo da vida que
irriga o chão, e depois a palavra —
súbita, mineral, anunciando que
a carne despertara entre as folhagens.
O convite era um abismo de desejo e dúvida. "Senta", ele disse,
e a voz era um veludo rústico.
Eu não quis o peso, mas quis o mistério.
Então, com uma delicadeza de quem
colhe o fruto maduro,
suas mãos guiaram as minhas,
guiaram o meu rosto,
conduzindo-me ao centro daquela força erguida.
E ali, no recolhimento das sombras,
o toque revelou o que a luz não ousa dizer.
Minha boca encontrou a pulsação do mundo,
e minhas mãos, num ritmo de prece e descoberta,
moldaram o instante até que ele transbordasse.
A vida rompeu-se em brancura e espessura,
um jorro de estrelas terrestres, denso, infinito,
escorrendo entre os dedos como o tempo que não volta.
Não houve culpa, apenas a aceitação do gozo,
enquanto o cafezal, cúmplice e mudo,
bebia o sereno e o nosso breve e eterno espanto.
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