A mão risca o branco
não por luz, mas
por urgência de fenda.
Escrevo para o vazio,
esse bicho sem rosto
que me habita
e que mastiga
o tempo entre
um café e um silêncio.
Escrevo para o ninguém.
Não o homem na rua,
não o vulto na fresta, mas o
ninguém que sobra quando a
memória desanda e o nome vira
apenas sopro no vidro sujo da sala.
Para a pedra, sei lá. A coisa em si, muda,
dura, parada no centro do caos como um soco
no olho do dia. A pedra que não lê, que não ouve,
mas que sustenta o peso de tudo o que eu não sei dizer.
Palavra é bicho-de-pé, finca na carne, dói de não
ser nada.
Escrevo porque o chão foge
e o nada é a única casa onde ainda cabe o meu grito.
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