Fruta em sesta, polpa aberta,
Na vertical do meio-dia.
Não é mesa, é cama incerta
Onde a fome se extasia.
Tão fêmea a carne, e tão grossa,
Que o sumo, em gozo, se dissolve;
Não há limite que possa
Deter o corpo que a devolve.
Ninfomania do gomo,
Entre o dente e o abandono.
Perfeito é o ser, tal como
Se entrega ao mudo sono.
Coito solar, sem pressa,
De corpo a corpo tecido.
A vida, enfim, começa
No fruto que foi vencido.
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