terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Salva de Vênus

Fruta em sesta, polpa aberta, 

Na vertical do meio-dia.


 Não é mesa, é cama incerta 

Onde a fome se extasia.


Tão fêmea a carne, e tão grossa, 

Que o sumo, em gozo, se dissolve; 


Não há limite que possa 

Deter o corpo que a devolve.


Ninfomania do gomo, 

Entre o dente e o abandono.


 Perfeito é o ser, tal como 

Se entrega ao mudo sono.


Coito solar, sem pressa, 

De corpo a corpo tecido. 


A vida, enfim, começa

 No fruto que foi vencido.

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