terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Poema-Ato no Cafezal

 Ouçam! 

Nas barbas do cafezal latifundiário,

 

a noite não é um cobertor para os tímidos.

 

É uma fornalha!

Eu e Natan. Ele, erguido como um 

obelisco de ébano, desafiando 

a física dos bons costumes. 

O jato de urina corta o silêncio — 

um arco voltaico aterrando na terra!

Eis que o corpo se manifesta! Ele disse: "Senta!" 

como quem comanda uma frota de couraçados. Eu hesitei? Não importa.


A mão dele — tenaz de aço, veludo de operário 

— conduziu o meu rosto ao epicentro do mundo. 

Não houve vício, houve o Triunfo!

Minha boca, fábrica de palavras, calou-se para ser 

fábrica de prazer. Minha mão, engrenagem rápida, 

trabalhou a carne em riste, até que o universo estancasse.

E então... O jorro! BRANCO! GROSSO! 

Como lava de um vulcão proletário, expulsando 

para fora toda a repressão dos séculos!

 

Amo este instante! Amo o homem que se entrega ao

 homem sob o silêncio das plantas fascistas! 

Neste café, colhemos hoje a mais pura

 revolução da carne!

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