terça-feira, 30 de dezembro de 2025

No Canteiro da Obra


Daniel, negro e jovem, ergue o gesto,  

o madeiro bruto, carne em ardor,  

entre tijolos, pedra e suor:  

"Bebe o sal do meu mar"—meu pretexto.  


Líquido branco, espuma de desejo,  

na boca, o gosto do oceano aberto,  

e o corpo, vaga, entrega-se incerto—  

no gozo, o canto, o abismo, o mesmo beijo.

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