O plano inicial não é a linha, mas a intenção do grafite de se tornar
algo mais que pó — uma "precisão de sentimentos",
como disse o mestre, retirada do caos por
necessidade.
Observe o caranguejo-ferradura: seu rastro
na areia é um desenho sem
borracha, um rascunho de armadura que a maré
insiste em editar. A natureza não teme
o inacabado. Ela é, em si, um acúmulo de tentativas; o bico do
colibri ajustado pelo erro de flores que não se abriram.
Não há nada de "meramente"
esquemático no esqueleto de uma folha.
É a estrutura que sustenta a cor, a
geometria que permite à beleza ser, enfim,
genuína. O resto é ornamento.
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