quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Escrito

 Nas profundezas escuras

 do seu corpo, não,

 não era noite, 

busquei refúgio na sua beleza, 

soluços,

 café branco com

 leite escuro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O Homem, a Dança, o Som


1.

O homem judeu.

Judeu homem, dança.

A música.


O homem dança judeu.

Judeu homem, a música.

Dança o homem.


A música judeu.

Homem dança, o judeu.

Judeu homem a música.


Dança o judeu.

Homem, a música.

O homem judeu.


Dança, dança.

Judeu.

Homem.

A.


2.

O homem.

O judeu.

O judeu-homem.

Calcula o passo, divide o trauma, repete a herança.

Dança?

Não. Analisa a música.

Até que o som falhe,

e sobre apenas

o silêncio da letra.

Ausente

 Cidade sem brasão.

Povoada pelos ausentes.


O fôlego

pesa na balança do nada,

onde a cinza do nome

toca o fundo do poço.


Nenhum eco.

Apenas a mão que se estende

na ausência de ti.

Cinza de um nome

 Cinza de um nome que             a boca não ousa.

Aqui, onde o hálito         tocou a fenda,

o conceito de glória

pesa como uma âncora de sal:


a liberdade

de amar

sem limites.


Nenhuma cerca de fumaça,

nenhum muro onde         a sombra se esgote.

Apenas a carne aberta ao vento,

o lume aceso             na ausência de Deus,

e o pulso que         ainda bate 

sem remissão,

                sem             porto.

Silêncio de cinza

 Silêncio de cinza na balança sem peso.

A palavra que restou na garganta

é uma pedra calcinada:

Justiça.


Nenhum anjo desce a escada de fumaça.

As portas do céu rangem

ferrugem e mofo.

Deus retirou-se para o seu silêncio de sombra,

e o homem — ó mãos de argila e prego —

ergueu-se sozinho sobre o próprio teto,

senhor do seu relógio sem ponteiros.


Não há aurora de Cordeiro e leão deitado.

Nenhuma harpa messiânica afina

o vento seco dos dias.

Mas o grito ainda rasga o entulho:

a terra quer justiça,

a carne quer a fenda da liberdade.


E mesmo sem promessa,

mesmo com o escuro pesando no fundo do poço,

uma foice corta a raiz do mal,

gota a gota,

contra o esquecimento.

Nihilistas

¿Vedes

aquel pájaro

allí?


Él no sabe

que habrá

un fin.


Ved la lluvia,

sabe que

está cayendo

en mi pecho,


que está ardiendo

de tanto fumar,

fumar verdades


absurdas,

nihilistas en medio del fin del jardín egoísta.

Serán ojos

Serán ojos

este culo,

s            erán vino,

serán plagas.


            Ámame,

amada amor,

ámame, hombre,

oscuro africano.


Deleítame

con     tu miel,

blanco y eterno,


de placeres         y sol.