No espelho de Al-Andalus, o deserto
Ainda guarda a sombra de Atalide,
Onde o crescente e o sol, em lide,
Traçam um rumo antigo e decerto.
O nome cruza o Tejo, o tempo aberto,
Perde um "L" no rastro que o divide;
Ataíde agora, a estirpe que reside
Em palácios de pedra e mar incerto.
Sangue de mouro e lei de Israel,
Em segredo e brasa a nobreza floresce
Entre o Brasil e o castelhano céu.
Muda-se a letra, mas o fado cresce:
Pois o nome é o mapa e o baú fiel
De um reino que na alma nunca esquece.