Nas profundezas escuras
do seu corpo, não,
não era noite,
busquei refúgio na sua beleza,
soluços,
café branco com
leite escuro.
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
Nas profundezas escuras
do seu corpo, não,
não era noite,
busquei refúgio na sua beleza,
soluços,
café branco com
leite escuro.
1.
O homem judeu.
Judeu homem, dança.
A música.
O homem dança judeu.
Judeu homem, a música.
Dança o homem.
A música judeu.
Homem dança, o judeu.
Judeu homem a música.
Dança o judeu.
Homem, a música.
O homem judeu.
Dança, dança.
Judeu.
Homem.
A.
2.
O homem.
O judeu.
O judeu-homem.
Calcula o passo, divide o trauma, repete a herança.
Dança?
Não. Analisa a música.
Até que o som falhe,
e sobre apenas
o silêncio da letra.
Cidade sem brasão.
Povoada pelos ausentes.
O fôlego
pesa na balança do nada,
onde a cinza do nome
toca o fundo do poço.
Nenhum eco.
Apenas a mão que se estende
na ausência de ti.
Cinza de um nome que a boca não ousa.
Aqui, onde o hálito tocou a fenda,
o conceito de glória
pesa como uma âncora de sal:
a liberdade
de amar
sem limites.
Nenhuma cerca de fumaça,
nenhum muro onde a sombra se esgote.
Apenas a carne aberta ao vento,
o lume aceso na ausência de Deus,
e o pulso que ainda bate
sem remissão,
sem porto.
Silêncio de cinza na balança sem peso.
A palavra que restou na garganta
é uma pedra calcinada:
Justiça.
Nenhum anjo desce a escada de fumaça.
As portas do céu rangem
ferrugem e mofo.
Deus retirou-se para o seu silêncio de sombra,
e o homem — ó mãos de argila e prego —
ergueu-se sozinho sobre o próprio teto,
senhor do seu relógio sem ponteiros.
Não há aurora de Cordeiro e leão deitado.
Nenhuma harpa messiânica afina
o vento seco dos dias.
Mas o grito ainda rasga o entulho:
a terra quer justiça,
a carne quer a fenda da liberdade.
E mesmo sem promessa,
mesmo com o escuro pesando no fundo do poço,
uma foice corta a raiz do mal,
gota a gota,
contra o esquecimento.
¿Vedes
aquel pájaro
allí?
Él no sabe
que habrá
un fin.
Ved la lluvia,
sabe que
está cayendo
en mi pecho,
que está ardiendo
de tanto fumar,
fumar verdades
absurdas,
nihilistas en medio del fin del jardín egoísta.
Serán ojos
este culo,
s erán vino,
serán plagas.
Ámame,
amada amor,
ámame, hombre,
oscuro africano.
Deleítame
con tu miel,
blanco y eterno,
de placeres y sol.