quinta-feira, 19 de março de 2026

A Sentinela

 A Sentinela 

Onde o vento fustiga a charneca deserta,

E o tempo desfaz o que a mão construiu,

A alma desperta, de sombras coberta,

No reino de gelo que o sangue sentiu.


Ergue-se, imensa, no topo do monte,

Uma escultura de granito e de dor;

Bebendo o silêncio da antiga fonte,

Despida de medo, de paz e de cor.


Bate o martelo na carne do mundo,

Mas resta o orgulho que a terra não solta;

Pois no coração celta, imenso e profundo,

A fúria dos deuses ainda dá volta.


Que os mortais passem, em vã correria,

Pois sob o luar, num eterno noivado,

O peso da pedra impõe sua guia

Sobre o destino que foi lapidado.



A Dança na Carcaça

 

A Dança na Carcaça

Sob a fumaça amarela que o rio arrasta,

A cidade acorda com uma tosse seca.

Foi a aurora no dia do amor lapidado

Que se quebrou, como um copo de vodca, na calçada.


Entre latas vazias e promessas de ontem,

Um vulto cinzento saiu para passear.

Não há violinos, apenas o rádio insone

Tirando a poeira de um desejo vulgar.


A luz de mercúrio revela a ferida

No asfalto, no ventre da baleia morta.

Onde a esperança é uma carne esquecida,

E a salvação bate, em vão, na porta.


"Vem, meu amor, o táxi nos espera",

Diz a voz sem rosto, sem medo e sem fé.

Nesta praia de asfalto, a nossa era

É um osso roído, um resto de café.

Gabriel Athayde é escritor, pintor e fotógrafo de origem brasileira.

 Atualmente mora na cidade Guarulhos.









Pétalas de Fogo

 Pétalas de Fogo

Corujas belas do sol,

Garras de âmbar no meio-dia;

Olhos de cobre fixos

No silêncio do trigo.


Ouro sobre o granito,

A luz não treme nem canta;

Estátuas de penas secas,

Vigilantes do calor.


Visão de metal fundido,

O bico corta o ar denso;

Esculturas de fogo parado

Contra o azul estéril.


Um relâmpago de gesso,

A sombra morre no asfalto;

Voo de luz pesada,

E o tempo se faz mineral.










Canção do Poço Seco

Canção do Poço Seco
Nas trevas da noite, um rio de prata
Procura o corpo que o punhal não mata.
Sol, lâmpada divina do coração ferido,
Que luziras na carne sem ter sido?

O galope do vento já se cala,
Na oliva escura, onde o silêncio fala.
Ó, Lâmpada do Sol, se tu não vens,
Que mistério nos olhos tu manténs?

A lua acende o seu farol de gelo,
Pois a dor já não tem mais cabelo.
Divina Lâmpada que o peito encerra,
Luz que sangra na raiz da terra.

Se o amor é um touro que me embate,
Em que sombra, meu Sol, tu me mataste?
Fica a canção, na poeira esmagada,

Ó, Coração ferido, alma de nada.


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La invención de tu nombre

 La invención de tu nombre

No te busco en el mundo de las formas,

ni en el espejo que el día te dio;


Quiero tu verdad sin reglas,

lo que queda de ti y que solo me pertenece.

Travesti africano de cabello rojo,

eres el fuego que la mirada no puede consumir,

más allá de esos vanos artificios

con los que el tiempo te inventa un nombre.


Me quito la ropa de tu memoria,

desnudando el color, la carne y la historia,

hasta encontrar, en tu centro más profundo,

la luz que sostiene mi mundo.


Eres la paloma de mi sol olvidado,

volando silenciosamente dentro de mí,

en un cielo inconmensurable,

sin margen, sin puerto y sin fin.


No te quiero en carne ni en realidad,

quiero al "tú" que escapa al contacto,

esa llama púrpura y viento

que nace de mi pensamiento.


Permanece dentro de mí, en la pureza de la pincelada,

sin el peso del tiempo ni de un paso,

porque amarte es perderme

y encontrarte en mi desorden.