A noite descia sobre as terras antigas não como um manto de trevas, mas como um silêncio habitado por antigas memórias e estrelas distantes. Ali, onde o mundo mortal roça as fronteiras do indizível, a elfa escura movia-se com a leveza de um pensamento puro, livre das sombras que o seu nome injustamente sugeria. Ela dançava entre os ramos do céu, onde as copas das grandes árvores se confundiam com o veludo cósmico, costurando o tempo com passos que pareciam vir de uma música ouvida apenas antes do início de todas as coisas. Seus cabelos bailavam na água do rio Marivel, derramando fios de prata e noite sobre a correnteza cristalina que guardava os segredos do vale. Não havia nela a gravidade do pecado ou o peso da maldição que os homens temem nas brumas; havia apenas a alegria feroz e solene de quem foi feito para a liberdade. Naquela dança, o céu e a terra deixavam de ser distantes, unidos pela graça irrevogável de uma beleza que recusava o esquecimento, como uma promessa sussurrada pelo Criador nas águas profundas daquele rio sagrado.
Poemas Marginais
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
A Dança na Altura
No cume dos bosques de Nimbrethil,
Onde a luz das estrelas tecia sombras longas,
Uma forma graciosa movia-se, leve e sem peso,
Lá no alto, nas copas dos malornes,
Entre os ramos que tocavam o firmamento,
A Elfa Obscura dançava na vastidão noturna.
Os seus pés descalços, brancos como a mithril,
Pareciam desafiar a gravidade da terra.
O seu manto negro, bordado com fios de prata,
Fugia do corpo e fundia-se com a escuridão,
Salpicado por diamantes de luz estelar,
Como se ela própria fosse um Silmaril caído.
E ao girar no topo do mundo sussurrante,
A sua cabeleira longa, cor de obsidiana,
Deslizava e caía em cascatas serenas,
Como um véu de sombras flutuante,
Até encontrar o espelho do Rio Marivel.
Ali, nas águas profundas e frias,
As suas mechas negras bailavam com a correnteza,
Misturando a luz da floresta com o curso da prata.
Dançava ela num equilíbrio precário entre céu e rio,
Numa solidão antiga e cheia de mistério,
A Elfa das Trevas cujo nome foi esquecido,
Entre as estrelas distantes e as águas esquecidas.
A Dança nas Margens do Sirion
Nos bosques noturnos de Dorthonion,
Onde a luz das estrelas tecia sombras de sonho,
Uma figura dançava, leve como um raio de luar,
Lá no alto, nas copas das árvores élficas,
Entre os ramos que tocavam o firmamento,
Mórian a Elfa Obscura movia-se em graça.
Os seus pés descalços sobre o orvalho gelado,
Desafiavam a gravidade e o peso da terra.
O seu manto negro fundia-se com a noite,
Salpicado de diamantes de luz estelar,
Pois ela, como a Estrela Vespertina,
Conhecia os segredos das sete irmãs.
E ao dançar no topo do mundo sussurrante,
A sua cabeleira longa, cor de obsidiana,
Deslizava e caía em cascatas serenas,
Encontrando o espelho do Rio Marivel.
Ali, nas águas profundas e frias,
As suas mechas negras bailavam com o curso do rio,
Misturando a luz da floresta com o curso da prata.
Lágrimas puras talvez tivessem criado tais águas,
Pois a dança de Mórian, a elfa de sombra e luz,
Trazia um lamento suave ao som da correnteza,
Um eco da antiga canção dos Homens,
Na penumbra mágica e silenciosa da noite.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Hermetismo Judaico
dos destruídos, dos conquistados e dos aniquilados
átomos
a alegria divina
se tornará uma pedra,
uma lápide
silêncio
silêncio
verde
ela não perturbou
para vivenciá-lo na pedra
noites, despedaçadas.
anéis
no voo da coruja,
levada
para o campo
com
o sinal escrito
Nada pergunta
Leite negro
mais profundamente no reino da terra
sombras
os espinhos do cinturão de ferro brincam
fumaça