Poemas Marginais
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Violões
As ruas negras de sombras exalam cheiros
que envolvem a claridade dos sonhos
em ritmos de passos ocidentais
perto do corpo dourado e oriental.
Monumental beleza salta
da estranheza desse corpo gentil,
e em botões de rosas febris
uma jóia de beijo garante água.
Julga a boca a ganacia tal
do esquecimento em túmulos cerimoniais.
Brancas coberturas do som que
saiu pelas elevadas alturas do ar,
rangendo a beleza sepulcral da memória
que embora fixa em nós, esboroa toda hora.
O Vaso de Porcelana
No azulejo frio, o vulto se insinua,
Cabelos lisos, seda em movimento;
O femboy brilha, em casto desabrimento,
Na luz do banheiro, a carne se desnuda.
O corpo jovem, que a volúpia apura,
Recebe o pulso, o ímpeto, o tormento;
E o leite branco, em farto derramamento,
Pousa no peito, em cena alva e pura.
Escorre o rio, o néctar que me inunda,
Manchando o torso, a pele delicada,
Nesta oficina de luxúria profunda.
Fica a marca, na curva desenhada,
Enquanto a paz, na fresta que retunda,
Celebra o gozo, em sombra perfumada.
O Batismo sob a Chuva
O dia cinza, em água e em tormenta,
Numa obra em ruínas, o refúgio eleito;
O pau, não longo, mas de vulto e efeito,
Grossura rija que o desejo aumenta.
Na boca, a fonte que o prazer sustenta,
O gosto cru, o instinto, o preconceito;
Chupo o metal que a sede traz ao peito,
Enquanto a chuva o teto, enfim, esquenta.
Cinquenta reais, a paga da jornada,
O pacto selado sob a lona e o entulho,
Na solidão daquela noite entrada.
Guardei o vulto, o brilho do mergulho,
Pois na memória, em lousa desenhada,
Aquele membro foi meu primeiro orgulho.
O Início do Labirinto
Loiras as madeixas, verdes os olhares,
A travesti, em carne e em mistério erguida;
Foi a primeira, a vez da investida,
Nos insondáveis, fundos, vastos mares.
O pau entrou, rompendo os seus altares,
Cercado pela fenda, a joia esquecida;
Tão macio o cu, na pele aquecida,
Que esqueci do mundo e dos seus pesares.
Era um veludo, um úmido segredo,
A entrada que a volúpia me guardava,
A vencer o embaraço e o meu medo.
Na maciez, a alma se entregava,
E o que era estranho, em breve, cedo,
A posse plena, enfim, me confirmava.
O Furo de Reportagem
Entro na redação do tal Sergé,
Jornalista de peso e de alto mando;
Na sua boca, o membro vou depositando,
Enquanto ele, avidamente, põe-se de pé.
O gozo farto, que em branca onda é,
Enche-lhe a cavidade, transbordando;
Ele saboreia o que estou dando,
Com o apetite de quem tem muita fé.
Um tapa leve na nádega, um agrado,
A mão do dono da folha me sentencia,
Pelo serviço bem feito e bem pago.
Cinquenta reais, a paga da valência,
Guardo no bolso, o prazer consumado,
Pois o jornalismo, aqui, exige essa essência.
A Lição do Mestre Sergé
Vou ao encontro do mestre de sabedoria,
Sergé me espera, em seu gabinete obscuro;
Não há doutrina, nem silogismo duro,
Que o meu desejo em ato não desvia.
Sua boca, que a lógica anuncia,
Abre-se em fenda, em fúria de futuro;
Chupa-me o membro, em gesto tão puro,
Que a própria ética, enfim, se desvaria.
Um beijo trocamos, com gosto de gozo,
E na garganta, em sôfrega medida,
Borro-lhe o lábio, num ato luxurioso.
Toda a razão, por mim já esquecida,
Se perde no sêmen, gozo espumoso,
Na boca do mestre, minha própria vida.