terça-feira, 7 de julho de 2026

Paisagem

 O mar

Montanhas

Horizontes

Poente

 Lírio do amor,          um


 beijo que passou

Sobre os Objetos do Medo: Fragmentos Filosóficos

I

Vivemos numa era de modernidade fluida, em que as certezas se confundem em constante fluxo e a memória muitas vezes se torna um fardo leve demais para a consciência coletiva. O horror não é um acidente da história, mas uma possibilidade estrutural da própria civilização. Nesse cenário, o Holocausto, que ninguém se esqueça, foi apenas uma das formas de mal infligidas aos judeus, como o foi em outras épocas e contra outros povos além dos semitas. Não foi uma anomalia no desenvolvimento da modernidade, mas a revelação de sua face mais sombria: a capacidade tecnológica de instrumentalizar a crueldade e fazer do "Outro" um objeto de aniquilação. Quando desumanizamos, abrimos a porta para a violência, permitindo que ela deixe de ser um evento isolado e, em vez disso — perigosamente — se torne uma opção dentro do espectro de nossas possibilidades históricas.


II

A modernidade líquida, em sua busca implacável pelo consumo como medida do valor humano, criou novos espaços de segregação que operam sob o disfarce da neutralidade comercial. Considere os shoppings, onde os trabalhadores são tratados como lixo por gigantescas corporações como o McDonald's, enquanto os ricos se comportam como porcos, mesmo que os pobres, além de suas possibilidades, aspirem a ser como esses porcos ricos. Nesses templos de vidro e luz artificial, a desigualdade não é apenas um fato estatístico; é uma coreografia cotidiana. O trabalhador é reduzido a uma engrenagem substituível na máquina, um apêndice da eficiência logística, enquanto o consumidor abastado exerce seu "direito" ao desprezo, protegido por uma arquitetura que separa o privilégio da miséria. O que é verdadeiramente assustador não é apenas a brutalidade da exploração, mas também o poder sedutor desse modelo: o desejo de ascensão social se torna uma armadilha na qual os oprimidos, fascinados pelo glamour do luxo, anseiam ocupar o próprio lugar que os esmaga. É o triunfo supremo da lógica consumista, que nos faz sentir o desejo ardente de nos tornarmos os algozes daqueles que, ainda ontem, compartilhavam o mesmo solo poeirento conosco.

É isso o homem?

 O homem chega à Lua, 

mas não vê a

 miséria de

 seu vizinho.

Subjetividade

 A cada página 

em branco, 


eu morro

 e renasço.

Discurso solitário

 Mar de estrelas

Lágrimas

de alegria

Brancos

Esculpido na areia



A morte

é o lar

do esquecimento

das memórias