quinta-feira, 4 de junho de 2026

Violões

As ruas negras de sombras exalam cheiros 

que envolvem a claridade dos sonhos

em ritmos de passos ocidentais

perto do corpo dourado e oriental.


Monumental beleza salta

da estranheza desse corpo gentil,

e em botões de rosas febris

uma jóia de beijo garante água.


Julga a boca a ganacia tal

do esquecimento em túmulos cerimoniais.

Brancas coberturas do som que


saiu pelas elevadas alturas do ar,

rangendo a beleza sepulcral da memória

que embora fixa em nós, esboroa toda hora.

O Vaso de Porcelana


No azulejo frio, o vulto se insinua,

Cabelos lisos, seda em movimento;

O femboy brilha, em casto desabrimento,

Na luz do banheiro, a carne se desnuda.


O corpo jovem, que a volúpia apura,

Recebe o pulso, o ímpeto, o tormento;

E o leite branco, em farto derramamento,

Pousa no peito, em cena alva e pura.


Escorre o rio, o néctar que me inunda,

Manchando o torso, a pele delicada,

Nesta oficina de luxúria profunda.


Fica a marca, na curva desenhada,

Enquanto a paz, na fresta que retunda,

Celebra o gozo, em sombra perfumada.

O Batismo sob a Chuva


O dia cinza, em água e em tormenta,

Numa obra em ruínas, o refúgio eleito;

O pau, não longo, mas de vulto e efeito,

Grossura rija que o desejo aumenta.


Na boca, a fonte que o prazer sustenta,

O gosto cru, o instinto, o preconceito;

Chupo o metal que a sede traz ao peito,

Enquanto a chuva o teto, enfim, esquenta.


Cinquenta reais, a paga da jornada,

O pacto selado sob a lona e o entulho,

Na solidão daquela noite entrada.


Guardei o vulto, o brilho do mergulho,

Pois na memória, em lousa desenhada,

Aquele membro foi meu primeiro orgulho.

O Início do Labirinto


Loiras as madeixas, verdes os olhares,

A travesti, em carne e em mistério erguida;

Foi a primeira, a vez da investida,

Nos insondáveis, fundos, vastos mares.


O pau entrou, rompendo os seus altares,

Cercado pela fenda, a joia esquecida;

Tão macio o cu, na pele aquecida,

Que esqueci do mundo e dos seus pesares.


Era um veludo, um úmido segredo,

A entrada que a volúpia me guardava,

A vencer o embaraço e o meu medo.


Na maciez, a alma se entregava,

E o que era estranho, em breve, cedo,

A posse plena, enfim, me confirmava.

O Furo de Reportagem


Entro na redação do tal Sergé,

Jornalista de peso e de alto mando;

Na sua boca, o membro vou depositando,

Enquanto ele, avidamente, põe-se de pé.


O gozo farto, que em branca onda é,

Enche-lhe a cavidade, transbordando;

Ele saboreia o que estou dando,

Com o apetite de quem tem muita fé.


Um tapa leve na nádega, um agrado,

A mão do dono da folha me sentencia,

Pelo serviço bem feito e bem pago.


Cinquenta reais, a paga da valência,

Guardo no bolso, o prazer consumado,

Pois o jornalismo, aqui, exige essa essência.

A Lição do Mestre Sergé


Vou ao encontro do mestre de sabedoria,

Sergé me espera, em seu gabinete obscuro;

Não há doutrina, nem silogismo duro,

Que o meu desejo em ato não desvia.


Sua boca, que a lógica anuncia,

Abre-se em fenda, em fúria de futuro;

Chupa-me o membro, em gesto tão puro,

Que a própria ética, enfim, se desvaria.


Um beijo trocamos, com gosto de gozo,

E na garganta, em sôfrega medida,

Borro-lhe o lábio, num ato luxurioso.


Toda a razão, por mim já esquecida,

Se perde no sêmen, gozo espumoso,

Na boca do mestre, minha própria vida.