A sombra da sua
voz,
acompanha o
dia.
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
Leite negro
Bebendo da terra de uma sepultura
Embora o texto não deixe claro
Vamos fazer música e dançar
Seus cabelos escuros
Sua pele africana
nos lembram dos judeus no exílio babilônico,
que eram incentivados a cantar por seus guardas
Vamos cantar, vamos celebrar o dia
Amor pela neve na lareira,
o envelhecimento do cobre branco,
e a morte fugindo pelas ruas.
Tarde da noite, quem seríamos nós se eu não
escrevesse para você
ao entardecer, ao meio-dia,
ao amanhecer e à noite,
silêncio em seus lábios
Montanhas negras
outrora brancas
as estrelas
as tochas
fumaça negra
o leite branco
bebido.
A rocha.
Diademas
ressonantes da alma
relinchando
cavalos relinchando de alegria: lá fora
o murmúrio e a brisa
das ondas
O que se desdobra diante dos meus olhos,
e me enche de temor,
estas montanhas negras, estes arbustos
de nádegas, que inundo com o mar do
coração, que ruge, ruge,
desta tocha de fogo, tocha negra,
e, pulsando como a fonte, o mar derrama
sua espuma na boca do poeta
e entre seis homens e pequenas ilhas,
os homens nus dos sonhos saltam
como elfos vendendo ouro
aos cambistas, e eu contemplo a vida
e questiono o silêncio!