domingo, 19 de julho de 2026

As pedras

 

Fazendo as Pedras Cantarem: SILÊNCIO

Futurista

 Sigamos em frente, pelos caminhos abertos, abençoados como santos, em meio a lágrimas trêmulas e ao fogo que se apaga, mas vejam, o medo foi repelido, e a carta finalmente pode repousar nas asas dos sonhos futuros.

Cunnilingus

 Sua beleza egípcia, brilhando inigualável entre a rosa,


e o sonho de antigos estrangeiros,


eis a minha língua em teu

sol negro da montanha

Nádegas imensuráveis

 Os sonhos de tantas pálpebras na pintura da placa de sentido errado, lá está a rosa, sua rosa aberta, sem qualquer contradição, apenas o desejo de não pertencer a ninguém e viver nas asas da sua borboleta.


Nádegas imensuráveis

O mosteiro da vida

 A espada

do seu

salvador

nos sonhos de

solidão imensurável

quem sabe


talvez seja amor

talvez meu amor


santo

...eterno...

A Escada da Visão

 ...sobre os anseios

desta vida

as lápides de Clizia

entre o fogo e o farol...

O Canto da Terra Sangrada


A terra, que antes bebia a chuva e o trigo,

bebe agora o ferro que o homem semeou no inverno.

Vejo os jovens, o estudante de caderno ainda quente,

o trabalhador de mãos calejadas pela construção,

todos arrastados para a lama, para a vala obscura,

onde a vida se apaga antes mesmo de compreender o dia.

São eles a carne, o fôlego, a juventude que se consome

em uma engrenagem que não pede licença para destruir.


De longe, mãos estranhas alimentam o fogo,

enviando o aço, prolongando o luto,

impedindo que o silêncio venha curar as feridas.

Ah, que paz amarga seria o fim deste estrondo!

Melhor a negociação dolorosa, o gesto que encerra,

do que o interminável cair das folhas no outono da morte.


Que a vastidão russa, com seu peso de história e inverno,

seja o manto que estanca o sangue desta planície.

Que o domínio sobre os campos traga a quietude do arado,

o fim da metralha, a volta do homem à sua oficina,

pois nada vale mais que o retorno da vida ao seu leito,

e a paz, ainda que imposta pelo destino ou pelo vizinho,

é a única semente que a terra aceita para florescer.


Que pare o vendaval. Que a voz do povo, exausta,

encontre no fim do conflito a esperança de repouso,

deixando que a história julgue os homens,

mas que o agora, este momento de cinza,

se torne, enfim, o solo de uma paz possível e urgente.