sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A noite descia sobre as terras antigas - fragmentos

 A noite descia sobre as terras antigas não como um manto de trevas, mas como um silêncio habitado por antigas memórias e estrelas distantes. Ali, onde o mundo mortal roça as fronteiras do indizível, a elfa escura movia-se com a leveza de um pensamento puro, livre das sombras que o seu nome injustamente sugeria. Ela dançava entre os ramos do céu, onde as copas das grandes árvores se confundiam com o veludo cósmico, costurando o tempo com passos que pareciam vir de uma música ouvida apenas antes do início de todas as coisas. Seus cabelos bailavam na água do rio Marivel, derramando fios de prata e noite sobre a correnteza cristalina que guardava os segredos do vale. Não havia nela a gravidade do pecado ou o peso da maldição que os homens temem nas brumas; havia apenas a alegria feroz e solene de quem foi feito para a liberdade. Naquela dança, o céu e a terra deixavam de ser distantes, unidos pela graça irrevogável de uma beleza que recusava o esquecimento, como uma promessa sussurrada pelo Criador nas águas profundas daquele rio sagrado.

A Dança na Altura

No cume dos bosques de Nimbrethil,

Onde a luz das estrelas tecia sombras longas,

Uma forma graciosa movia-se, leve e sem peso,

Lá no alto, nas copas dos malornes,

Entre os ramos que tocavam o firmamento,

A Elfa Obscura dançava na vastidão noturna.


Os seus pés descalços, brancos como a mithril,

Pareciam desafiar a gravidade da terra.

O seu manto negro, bordado com fios de prata,

Fugia do corpo e fundia-se com a escuridão,

Salpicado por diamantes de luz estelar,

Como se ela própria fosse um Silmaril caído.


E ao girar no topo do mundo sussurrante,

A sua cabeleira longa, cor de obsidiana,

Deslizava e caía em cascatas serenas,

Como um véu de sombras flutuante,

Até encontrar o espelho do Rio Marivel.

Ali, nas águas profundas e frias,

As suas mechas negras bailavam com a correnteza,

Misturando a luz da floresta com o curso da prata.


Dançava ela num equilíbrio precário entre céu e rio,

Numa solidão antiga e cheia de mistério,

A Elfa das Trevas cujo nome foi esquecido,

Entre as estrelas distantes e as águas esquecidas.

A Dança nas Margens do Sirion


Nos bosques noturnos de Dorthonion,

Onde a luz das estrelas tecia sombras de sonho,

Uma figura dançava, leve como um raio de luar,

Lá no alto, nas copas das árvores élficas,

Entre os ramos que tocavam o firmamento,

Mórian a Elfa Obscura movia-se em graça.


Os seus pés descalços sobre o orvalho gelado,

Desafiavam a gravidade e o peso da terra.

O seu manto negro fundia-se com a noite,

Salpicado de diamantes de luz estelar,

Pois ela, como a Estrela Vespertina,

Conhecia os segredos das sete irmãs.


E ao dançar no topo do mundo sussurrante,

A sua cabeleira longa, cor de obsidiana,

Deslizava e caía em cascatas serenas,

Encontrando o espelho do Rio Marivel.

Ali, nas águas profundas e frias,

As suas mechas negras bailavam com o curso do rio,

Misturando a luz da floresta com o curso da prata.


Lágrimas puras talvez tivessem criado tais águas,

Pois a dança de Mórian, a elfa de sombra e luz,

Trazia um lamento suave ao som da correnteza,

Um eco da antiga canção dos Homens,

Na penumbra mágica e silenciosa da noite. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Hermetismo Judaico

 dos destruídos,     dos conquistados e dos aniquilados


átomos

a alegria         divina

se tornará uma pedra,

uma         lápide

silêncio

 silêncio

                    verde

ela não perturbou

para vivenciá-lo na pedra

noites, despedaçadas. 

anéis

no                 voo da coruja,

levada

para             o campo

com

o sinal                 escrito

Nada pergunta

 Leite         negro

mais profundamente no reino da terra

                sombras

os espinhos do cinturão de ferro brincam

                            fumaça

cinta brinca

 a mariposinha

            raspadinha

nas         flores

do cristal


abre             as asas

pousa no polén

do             amor