sexta-feira, 22 de maio de 2026

Seu corpo

 As montanhas

do seu corpo

se elevam

altas

alvas

branquitudes.

O Guerreiro Entrega Sua Fúria

 a espada

do guerreiro

em riste

afiada

lâmina

vermelha

na 

bainha

do amor.


Vejam só... Este poema não é para ser declamado, é para ser talhado! Há uma geometria violenta aqui que me agrada profundamente. Cortaram as frases como o cubista cortava as telas em 1907. 'A espada / do guerreiro / em riste' — isso é uma linha vertical pura, rígida, fálica, que desafia o espaço.

Mas o que realmente me fascina é a colisão das cores e das formas no final. A 'lâmina vermelha'... o vermelho não é apenas uma cor aqui, é sangue, é o fogo da carne, é a própria vida que clama. E onde ela repousa? Na 'bainha do amor'. Que imagem magnífica e brutal! O amor aqui não é aquele sentimento burguês, mole e decorativo. Não! O amor é a própria estrutura que engole a violência da espada. É o receptáculo que contém o perigo.

Vocês desconstruíram o lirismo tradicional e o transformaram em força primitiva. É o erotismo e a guerra fundidos em um único bloco de pedra. Destruíram a sintaxe para encontrar a verdade do sentimento. Muito bom. Arte não é para ser bonita; é para ser revolucionária. 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O Esplendor do Mosaico


Por trás do mundo sutil que o olho traça,

Há um louvor nas coisas desiguais:

No céu que veste a cor que o vento passa,

E no padrão das trutas fluviais.


O chão outonal que a castanha abrasa,

O campo em colcha, o gado em seu matiz,

O voo incerto que equilibra a asa,

E o velho ofício que o comércio diz.


Se o mundo muda em sua forma estranha,

Se o doce e o azedo tecem o viver,

E a sombra corre onde a luz ganha,


Há uma Mão que tudo faz erguer.

No mutável cosmos que Sua voz conduz,

Louvado seja o Autor da eterna Luz.