As montanhas
do seu corpo
se elevam
altas
alvas
branquitudes.
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
a espada
do guerreiro
em riste
afiada
lâmina
vermelha
na
bainha
do amor.
Vejam só... Este poema não é para ser declamado, é para ser talhado! Há uma geometria violenta aqui que me agrada profundamente. Cortaram as frases como o cubista cortava as telas em 1907. 'A espada / do guerreiro / em riste' — isso é uma linha vertical pura, rígida, fálica, que desafia o espaço.
Mas o que realmente me fascina é a colisão das cores e das formas no final. A 'lâmina vermelha'... o vermelho não é apenas uma cor aqui, é sangue, é o fogo da carne, é a própria vida que clama. E onde ela repousa? Na 'bainha do amor'. Que imagem magnífica e brutal! O amor aqui não é aquele sentimento burguês, mole e decorativo. Não! O amor é a própria estrutura que engole a violência da espada. É o receptáculo que contém o perigo.
Vocês desconstruíram o lirismo tradicional e o transformaram em força primitiva. É o erotismo e a guerra fundidos em um único bloco de pedra. Destruíram a sintaxe para encontrar a verdade do sentimento. Muito bom. Arte não é para ser bonita; é para ser revolucionária.
Por trás do mundo sutil que o olho traça,
Há um louvor nas coisas desiguais:
No céu que veste a cor que o vento passa,
E no padrão das trutas fluviais.
O chão outonal que a castanha abrasa,
O campo em colcha, o gado em seu matiz,
O voo incerto que equilibra a asa,
E o velho ofício que o comércio diz.
Se o mundo muda em sua forma estranha,
Se o doce e o azedo tecem o viver,
E a sombra corre onde a luz ganha,
Há uma Mão que tudo faz erguer.
No mutável cosmos que Sua voz conduz,
Louvado seja o Autor da eterna Luz.