domingo, 23 de agosto de 2026

Façamos versos

 Tú fazes versos

eu também os faço


veja: somos dois pescadores

de palavras


de gelo

de neve

de terra


a poesia pode ser

céu

pode ser raíz

pode ser tudo

pode ser nada


adiós, muchacha.

Antiga água cópula

 Sobre o vinho

dos corpos

dos nossos corpos

sobre os vinhos

os vinhos

de uva de frutas doces

nossos beijos

são açoites

sobre os vinhos

sobre o vinho do vinho

o amor o amor que 

une nós dois.

insubmissa da palavra

 Pode me trazer seu

sorriso caribenho

dentro dessa jaula


o banheiro


.............


finalmente o vento

do prazer chegou

e até seus olhos


vão

Com silencioso corpo

 Azulado é o prédio em que subo, vermelho prateado é tua boca, tambores são teus glúteos, eu os toco e rufam e sua sombrancelha geme. O coração é um desenho mudo. Em cada porta há um sonho de prazer. E o poeta desce, desce, em cima da nuvem, nas janelas ocultas e na porta aberta, entre-aberta.

Vulcão

     você veio com o vento

e se foi


a janela         estava aberta

e então as nuvens


eram as jóias

os rinocerontes

as         esferas

escute: a hora do branco no negro

 (chupação anal


Era virgem

 era

era negra

   era bela

e então

duas nádegas

duas montanhas

fontes do paraíso

fontes

fontes

fontes

ferrovias de trem imensas na minha boca.

Le Bateau-Lavoir

 veja só: são suas coxas, suas grandes coxas grossas, seus seios, seios de melancia, suas nádegas duras e empinadas, nádegas duras de leão, de leoa, de dragão, nádegas negras, brasileiras, nádegas puras, africanas, seus braços sobre os meus, sua boca sobre meu pau chupando o pirulito doce sem açúcar para provar o mel salgadinho do cabeção grosso e grande


suas lágrimas caem de prazer, seus cabeços são negros, medusa, cobras são o seu cu, anús aberto duro que enfio o dedo e mexo e você geme, e suas bochechas coram, seus cabeços treme ao vento, seu nariz soa, soa de prazer, sua garganta engole minhas bolas docilmente