Poemas Marginais
© Gabriel de Ataide Lima. Todos os direitos reservados.
sábado, 16 de maio de 2026
A Matéria Branca contra a Negra se Ama
Claras carnes de luz, em espasmo e agonia,
Chocam-se contra as trevas do infinito,
Num duelo mudo, num supremo grito,
Onde a Alva Noiva a Noite escura espia.
Vagas formas de neve e de heresia
Batem no peito do ébano maldito,
E nesse abraço trágico, inaudito,
Gira o cosmo em perpétua liturgia.
Ó mistério das formas que se enlaçam!
Luzes brancas e sombras que trespassam
O âmago dorido do universo místico...
Na carne cega a essência se condensa:
A matéria mais alva, em febre imensa,
Ama o negror do abismo metafísico.
A Alvura no Caos da Matéria
Em torno do epicentro da agonia,
Corpos de ébano, em fúria muscular,
Vêm a carcaça pálida cercar
Na mais densa e carnal zoofilia.
Falos erguidos como torres negras
Irrompem no cenário da luxúria,
E o dorso branco, em espasmódica fúria,
Cede às brutais, anatômicas regras.
Líquidos jorram em descarga exata,
Linfas de sêmen, em jatos violentos,
Cobrem-lhe o rosto de fluidos nojentos...
E a tez alva, sob a gosma que desaba,
Sente o escarro da carne que desata
O horror da vida que na boca acaba!
O Vôo dos Glúteos de Sanches
Na biologia vil que nos consome,
Sanches exibe a herança do pecado:
Um bumbum hipertrófico, moldado
Como asa de inseto que não nome.
Lepidóptero carnal, simétrico e imenso,
Chama o cinzel da cópula traseira!
E a matéria, em luxúria derradeira,
Pede o espasmo do sêmen mais denso.
Vai o falo invadir a cripta escura,
Onde a larva do verme se alimenta,
Rompendo os laços da moral nojenta...
E nas franjas daquela asa maldita,
O espínter cede à fúria que tritura,
Enquanto o verme da existência grita!
O desejo
(uma mulher sendo sodomizada por duas trans belissima)
Nas sombras da matéria que apodrece,
Duas quimeras de esbeltez flagrante,
De anatomia hígida e arrogante,
Guiam o espasmo que a carne padece.
Sob o cinzel da carne que se altera,
O corpo dela cede ao duplo assalto,
Enquanto o gozo, em lúgubre planalto,
Muge na espinha da humana fera.
Falo e volúpia em simbiose exata,
Líquidos fluidos de um labor profundo,
Vertem na noite o sêmen deste mundo,
Onde a beleza e o escarro se entrelaçam.
E no vórtice cego do desejo,
Três corpos frios no esterco se desfazem.
Sonho: a dama e o equino
Nas entranhas da carne e do desejo,
Onde o instinto ruge em força bruta,
A alma humana, em febre e em labuta,
Fita o equino com mórbido gracejo.
Vê-lhe o torso de músculos e aço,
A crina espessa, o lombo reluzente,
E sente um espasmo, um fogo demente,
Que a atira, insana, à força daquele braço.
Oh! Visceral anseio que consome!
A linfa escorre, a besta rinchando chama,
Na cópula cega que a matéria aclama,
Fundem-se a carne, o casco e o próprio nome.
E no esterco da vida, em espasmo imundo,
Grita a mulher sob o centauro do mundo!