domingo, 17 de maio de 2026

Vedas e Alcorão


Do Ganges sagrado, onde a névoa se adensa,

Brota a voz dos Vedas, em hinos de luz,

Onde a alma do mundo, infinita e imensa,

Ao ser absoluto o mortal conduz.


Ressoam os mantras na esfera suspensa,

Na busca da essência que tudo produz;

É o sopro do Brahma, que o cosmos compensa,

A chama sutil que no peito reluz.


E além do deserto, na areia que queima,

O Verbo do Islã se faz lei e canção,

Na voz do Profeta que escuta e não teima.


Do Livro Sagrado ressoa a lição:

Que a mesma Verdade que o védico aclama,

É o Deus do Alcorão que a justiça proclama.

Vedas e Alcorão


Vejo a luz que do Oriente o mundo inversV

Ergue a mente ao zênite, alta e purE

De onde a verdade em mantras desce e durD

A sutil vibração do som universA

Santo livro onde o absoluto exprenS


Vem do Ganges a prece que assegurV

Eternidade à alma que depurE

Desta matéria o laço banto e verdD

A canção do Invisível, alta e rarA

Selando a fé que o tempo não dispersS


Alá fala ao profeta no desertO

Lendo o destino em páginas de luZ

Cobre a terra o Alcorão, reto e mE

Onde a palavra é lei que o passo conduZ

Regendo a vida com o olhar abertO

Ãnsia de Deus que à mesma meta aduZ

Onde a alma enfim com o Absoluto afluI

sábado, 16 de maio de 2026

Os caboclos

 


A Matéria Branca contra a Negra se Ama


Claras carnes de luz, em espasmo e agonia,

Chocam-se contra as trevas do infinito,

Num duelo mudo, num supremo grito,

Onde a Alva Noiva a Noite escura espia.


Vagas formas de neve e de heresia

Batem no peito do ébano maldito,

E nesse abraço trágico, inaudito,

Gira o cosmo em perpétua liturgia.


Ó mistério das formas que se enlaçam!

Luzes brancas e sombras que trespassam

O âmago dorido do universo místico...


Na carne cega a essência se condensa:

A matéria mais alva, em febre imensa,

Ama o negror do abismo metafísico.

A Alvura no Caos da Matéria


Em torno do epicentro da agonia,

Corpos de ébano, em fúria muscular,

Vêm a carcaça pálida cercar

Na mais densa e carnal zoofilia.


Falos erguidos como torres negras

Irrompem no cenário da luxúria,

E o dorso branco, em espasmódica fúria,

Cede às brutais, anatômicas regras.


Líquidos jorram em descarga exata,

Linfas de sêmen, em jatos violentos,

Cobrem-lhe o rosto de fluidos nojentos...


E a tez alva, sob a gosma que desaba,

Sente o escarro da carne que desata

O horror da vida que na boca acaba!

O Vôo dos Glúteos de Sanches


Na biologia vil que nos consome,

Sanches exibe a herança do pecado:

Um bumbum hipertrófico, moldado

Como asa de inseto que não nome.


Lepidóptero carnal, simétrico e imenso,

Chama o cinzel da cópula traseira!

E a matéria, em luxúria derradeira,

Pede o espasmo do sêmen mais denso.


Vai o falo invadir a cripta escura,

Onde a larva do verme se alimenta,

Rompendo os laços da moral nojenta...


E nas franjas daquela asa maldita,

O espínter cede à fúria que tritura,

Enquanto o verme da existência grita!

O desejo

(uma mulher sendo sodomizada por duas trans belissima)


Nas sombras da matéria que apodrece,

Duas quimeras de esbeltez flagrante,

De anatomia hígida e arrogante,

Guiam o espasmo que a carne padece.


Sob o cinzel da carne que se altera,

O corpo dela cede ao duplo assalto,

Enquanto o gozo, em lúgubre planalto,

Muge na espinha da humana fera.


Falo e volúpia em simbiose exata,

Líquidos fluidos de um labor profundo,

Vertem na noite o sêmen deste mundo,


Onde a beleza e o escarro se entrelaçam.

E no vórtice cego do desejo,

Três corpos frios no esterco se desfazem.