Sou livre e rico, vou existir no paço.
Não é de mármore o chão, nem é de ouro o traço,
Mas a existência é o solar, a morada, o espaço. Sou o
luxo que caminha sem disfarce e sem cansaço.
O universo é vasto, eu sei, a imposição do vago.
Parece frio, distante, um infinito afago Que de tão
grande, de tão nu, se torna um fardo. Sim, o universo,
esse infinito, é pobre e exato.
Mas veja, meu amor, a curva que o instante faz: Aqui,
onde o ar é doce, onde a gente é capaz De um riso
solto, um banho de chuva, a paz Que se inventa
e se desfaz por entre os cais.
O cosmo é a tela cinza, a tela deslavada. Ma
s a vida é
show de rock, é a batida acelerada! É o grave que
treme a alma, a guitarra prateada, É a cor vibrante que irrompe, a voz desgovernada!
Eu me faço presente, um acorde dissonante e belo.
Eu sou a tropicália que acende o candelabro.
Não preciso de estrelas, de tronos, de castelo, Se sou o próprio ritmo, o eterno novelo.
Sou livre e rico, vou existir no paço.
O universo é pobre, mas a vida é show de rock.
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