Sou livre e rico,
rico de um jeito torto,
rico de ar, de ideia, de desejo
que não cabe no bolso
nem pede permissão.
Vou existir no paço,
mas descalço,
com a coroa meio torta
e o coração elétrico.
Palácio também é estado de espírito
quando a alma não se curva.
O universo é pobre —
tão imenso e tão vazio —
cheio de estrelas que não sabem dançar,
de leis frias,
de silêncios matemáticos.
Mas a vida…
a vida é show de rock.
É guitarra rangendo na carne,
é voz que falha e mesmo assim insiste,
é luz estourando no escuro
no exato segundo em que tudo faz sentido
sem explicar nada.
Sou livre e rico
porque ainda posso cantar,
misturar o sagrado com o profano,
o luxo com o lixo,
o amor com o susto.
Que o cosmos continue econômico,
contido, distante.
Aqui embaixo,
no palco improvisado do agora,
a vida explode —
e eu danço.
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