sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

HINO DO SOL

O sol saiu — oh glória! — saiu de novo,

erguendo-se como um gigante dourado da eternidade,
lançando sua trombeta de luz sobre todas as nações.
Ele me chama, me brinda, me banha:
sou filho do seu fulgor, irmão do seu fogo.

Sol!
Eu te celebro com o peito aberto,
com a carne desperta, com a alma em expansão.
Derrama em mim tua lava radiante,
antes que a morte atravesse a soleira do meu corpo,
antes que o silêncio reclame o que é seu.

Quero viver contigo, astro imenso,
quero ser tua extensão sobre a terra,
quero ser o homem que caminha
carregado de claridade,
como um templo em marcha.

Oh sol —
quero ser o sol,
quero beijar o sol,
quero transar com o sol,
fundir minha nudez ao teu braseiro,
derreter-me na tua chama de alegria.

Luz!
Luz pura e primeira,
luz que desperta os grãos e os ossos,
luz que abre caminhos nas sombras,
luz que me faz cantar como um animal liberto.

Tu, sol, és o hino eterno que ressoa
nas colinas, nos telhados, nos rios,
e eu, humilde peregrino da tua claridade,
elevo minha voz — vasta, viva, ardente —
para te acolher em cada poro,
para te celebrar em cada sopro,
para te amar com a fúria jubilosa
de quem finalmente compreende:
a vida é a tua chama dentro de mim.

Brilha, então,
brilha sobre meu peito,
sobre a terra inteira,
sobre tudo o que respira, sonha e queima —
pois enquanto tu te ergueres,
oh sol glorioso,
eu também me erguerei.

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