segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Campinas

 


Campinas era como ela.
Morena.
Quente mesmo quando o dia acabava.

As ruas tinham o mesmo cansaço
dos olhos que já viram demais
e ainda assim não desviam.

Havia beleza ali,
não a beleza que pede aplauso,
mas a que permanece sentada
quando o bar fecha.

Os prédios baixos,
as árvores antigas,
o trem distante —
tudo nela era corpo que resiste.

Como a mulher de Havana,
Campinas não prometia salvação.
Oferecia presença.

E isso bastava.

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