em memória de Heinrich Böll
O peixe
não argumenta.
Ele permanece
no aquário irregular do mundo,
escamas como parênteses,
olhos atentos ao mínimo desvio da água.
Nada em ângulos precisos,
recusa o excesso,
aceita apenas o que sustenta
a corrente.
Há um momento, porém,
em que o peixe vira o corpo
— leve inclinação,
quase nada —
e nisso diz tudo.
Protestar é quando digo que isto não me agrada.
Não há grito.
Há postura.
A ética da guelra
é uma recusa silenciosa
ao anzol dourado.
O peixe sobrevive
porque sabe:
nem toda isca merece
movimento.
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