Homenagem ao Gil
Gilberto Gil andando pela Bahia,
com o passo aceso dos que inventam chão,
levou no peito o canto que irradia
mares antigos na palma da mão.
Por São Paulo fez-se vento e multidão,
fez da fumaça um ritmo solar,
fez o sol romper o concreto em canção,
fez o ar lembrar que sabe respirar.
Seu corpo é ponte entre o tambor e a rua,
língua em erupção, palavra em transe,
raiz que dança enquanto o mundo recua.
Gil é clarão na noite que se expande:
homem-orixá que, andando, continua
a libertar o tempo em cada lance.
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