para sedar senghor, o mestre da negritude!
Brasil e África não se abraçam
por gesto,
mas por osso.
O mesmo sal na pele,
o mesmo sol que racha
a cana,
o milho,
o homem.
Entre um e outro
o mar não separa:
transporta.
Levou braços,
levou nomes,
levou deuses
em porões sem ar.
O Brasil aprendeu a andar
com o pé africano,
a falar
com a boca africana,
a rezar
com o medo africano.
A África ficou
com a ausência:
corpos faltando,
vozes cortadas,
história interrompida.
Não basta memória.
Memória é pouco
quando vira museu.
É preciso trabalho comum:
trocar ciência,
trocar pão,
trocar futuro.
Que o Atlântico deixe de ser rota
e vire mesa.
Que o comércio não repita o açoite.
Que a ajuda não seja ordem.
Brasil e África:
abraço de irmãos
que só se completa
quando ambos ficam de pé.
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