terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Uma Valsa Lenta (Para a Ingratidão)

 A manhã nasceu, quase azul... E a gente, 

na vida, no sul Do mundo, dá o que tem, o que sente. 

Sem contar, sem querer, inocente.

A gentileza é canção sem letra, É sol que se 

esvai na vidraça estreita. E se a bondade não acha eco, Se o que se dá volta oco...

Não se sinta mal se sua gentileza for recompensada com ingratidão...

É a vida, meu amigo, a te mostrar Que a beleza mora em 

quem sabe dar. A gente cai, sim, de um lugar alto, 

Mas que seja de um sonho bem-feito.

É melhor cair das nuvens dos seus sonhos, 

Que

 são de brisa, mar e afagos risonhos, Do que da janela do terceiro andar, Onde só mora a razão fria de se calcular.

O sonho quebra a queda, leva ao chão, De um jeito 

manso, com a mão... Mas a janela... Ah, a janela, meu irmão, É o fim de qualquer ilusão.

Deixe a ingratidão ser um pássaro que passa. 

Siga dando o que tem de graça. Porque ser gentil é 

a melhor bossa, Mesmo que a recompensa 

seja só sua.

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