A manhã nasceu, quase azul... E a gente,
na vida, no sul Do mundo, dá o que tem, o que sente.
Sem contar, sem querer, inocente.
A gentileza é canção sem letra, É sol que se
esvai na vidraça estreita. E se a bondade não acha eco, Se o que se dá volta oco...
Não se sinta mal se sua gentileza for recompensada com ingratidão...
É a vida, meu amigo, a te mostrar Que a beleza mora em
quem sabe dar. A gente cai, sim, de um lugar alto,
Mas que seja de um sonho bem-feito.
É melhor cair das nuvens dos seus sonhos,
Que
são de brisa, mar e afagos risonhos, Do que da janela do terceiro andar, Onde só mora a razão fria de se calcular.
O sonho quebra a queda, leva ao chão, De um jeito
manso, com a mão... Mas a janela... Ah, a janela, meu irmão, É o fim de qualquer ilusão.
Deixe a ingratidão ser um pássaro que passa.
Siga dando o que tem de graça. Porque ser gentil é
a melhor bossa, Mesmo que a recompensa
seja só sua.
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