Meus poemas escrevo com vinho
com o sangue das guitarras que dormem
no gesso bebo o ângulo reto de um triângulo
que grita e a tinta é o galope de um cavalo de papel queimado.
O tinteiro escorre pela face do relógio
onde o três é um olho e o sete
é uma faca que mancha o linho do silêncio
com o suco das constelações e as palavras
de limões herméticos quadrados que flutuam no umbigo da mesa.
Não há rima na fome do pincel apenas o cheiro
do azul que morde a perna da cadeira enquanto escrevo com
a uva que virou grito no centro de um labirinto
feito de pão e areia movediça.
O vinho é o prego que segura a minha sombra na parede
enquanto o poema dança sobre a língua de um
peixe que usa sapatos de fumaça.
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