quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Alambique da Mandíbula de Vidro

   Meus poemas escrevo com vinho 

com o sangue das guitarras que dormem 

no gesso bebo o ângulo reto de um triângulo 

que grita e a tinta é o galope de um cavalo de papel queimado.

O tinteiro escorre pela face do relógio 

onde o três é um olho e o sete

 é uma faca que mancha o linho do silêncio

 com o suco das constelações e as palavras

de limões herméticos quadrados que flutuam no umbigo da mesa.

Não há rima na fome do pincel apenas o cheiro

do azul que morde a perna da cadeira enquanto escrevo com

 a uva que virou grito no centro de um labirinto 

feito de pão e areia movediça.

    O vinho é o prego que segura a minha sombra na parede

 enquanto o poema dança sobre a língua de um 

peixe que usa sapatos de fumaça.

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