Filo
Filo sangrou a razão na própria crença,
fez da ideia um cadáver obediente,
e da filosofia — fria serpente —
um servo humílimo da lei imensa.
Tomou da Grécia a ossada que sustenta
o verbo puro, o número, a semente,
mas cuspiu no dogma eternamente
que ao mundo dava carne indestrutível e isenta.
Não quis um cosmos velho e sem começo,
um átomo soberbo e sem juízo:
quis Deus — causa final de todo excesso.
Assim, na febre lúcida do aviso,
a fé ficou imune ao vil progresso
e a razão — prótese santa do divino.
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