Vomita a Guanabara o lodo e o vício,
Nesta bacia de íngremes destroços,
Onde o verme, em febril exercício,
Rói a medula dos trágicos ossos.
É o Rio! Subúrbio do suplício,
Esquecido entre esgotos e colossos,
Um resto de alma em precipício,
Longe dos fastos e de mundos nossos.
América Latina — ventre imundo —
Gera este feto de asfalto e de lama,
Anônimo rincão, necrotério do mundo!
E a matéria, em revolta sinfonia,
Na podridão de quem já não tem chama,
Sela o destino da periferia.
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