quarta-feira, 25 de março de 2026

Soneto ao Rio de Janeiro

Vomita a Guanabara o lodo e o vício,

Nesta bacia de íngremes destroços,

Onde o verme, em febril exercício,

Rói a medula dos trágicos ossos.


É o Rio! Subúrbio do suplício,

Esquecido entre esgotos e colossos,

Um resto de alma em precipício,

Longe dos fastos e de mundos nossos.


América Latina — ventre imundo —

Gera este feto de asfalto e de lama,

Anônimo rincão, necrotério do mundo!


E a matéria, em revolta sinfonia,

Na podridão de quem já não tem chama,

Sela o destino da periferia.

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