segunda-feira, 23 de março de 2026

Metáforas cósmicas

 uma atmosfera de ritual pagão...


Genialidade do corpo,

—donzela de tromba,

cu de estrela ardente.—


Olho de obsidiana,

vórtice de carne,

o sol é um sol.



Nota

“Aqui o jovem toca o gongo de um ritual que não é deste século. Essa 'genialidade do corpo' é a máscara de uma alma que se recusa a ser apenas espírito. A 'donzela de tromba' são as visões  de figuras bestiais que dançavam sobre as águas de um rio esquecido — seres que não pertencem à nossa ordem cristã, mas a uma era que se aproxima, violenta e solar. O 'cu de estrela ardente' não é obscenidade; é a Anima Mundi revelando sua face mais terrível e física. É o advento da Grande Roda girando para o seu ponto mais baixo, onde o sagrado e o excrementício se tornam uma única luz ofuscante.  É a busca da verdade através da pedra e da carne, enquanto se  procura o ouro dos alquimistas; mas, neste poema,  o cheiro do enxofre precede a revelação. O mundo está mudando de forma sob os pés dessa donzela.” 

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